A votação da PEC do fim da escala 6x1 na Câmara dos Deputados terminou com troca de ataques entre parlamentares da oposição e da base governista nesta quarta-feira (27). O principal embate ocorreu entre a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e o deputado André Fernandes (PL-CE), após discussões sobre a redução da jornada de trabalho e os modelos de escala defendidos durante a tramitação da proposta.
A discussão aconteceu durante a sessão que aprovou o texto que reduz a carga horária semanal de 44 para 40 horas e amplia o número de folgas semanais para os trabalhadores.
Troca de acusações marcou sessão da Câmara
Segundo o deputado do PL, a esquerda teria abandonado a defesa da escala 4x3 (modelo com quatro dias de trabalho e três de descanso) para apoiar um texto mais moderado, o que teria sido "humilhante" para a deputada do Psol.
Erika rebateu durante a sessão. “Se hoje nós estamos votando 5x2 é porque eles [o PL de André Fernandes] obstruíram e impediram a votação do 4x3. Aí levaram uma lambada da classe trabalhadora, levaram uma lambada das forças sindicais, levaram uma lambada da sociedade e agora estão fazendo esse teatro, esse papelão, essa farsa”, declarou a parlamentar.
O que André Fernandes disse sobre Erika Hilton
Ao responder às críticas, Erika Hilton ainda destacou que parlamentares da direita na Câmara mudaram de posição após pressão popular em torno da pauta trabalhista. “É muito impressionante a cara de pau, a desonestidade intelectual e o teatro de biruta de aeroporto que a extrema-direita está protagonizando dentro deste plenário”, afirmou a deputada.
Ela lembra que integrantes do PL haviam prometido barrar o avanço da proposta, mas recuaram após a repercussão negativa entre trabalhadores e movimentos sindicais.
“O trabalhador e a sociedade não são trouxas”, declarou.
Resposta de Erika Hilton repercutiu nas redes
Durante o discurso, Erika Hilton também fez referência a um vídeo publicado por André Fernandes nas redes sociais em 2018, meses antes de se tornar deputado, em que ele ensinava técnicas de depilação íntima.
“Humilhante é se tornar deputado ensinando na internet a fazer depilação íntima. Isso que é humilhante”, rebateu a deputada.
A declaração provocou reação no plenário e rapidamente repercutiu nas redes sociais, ampliando a tensão em torno da votação da PEC.
O episódio se tornou um dos assuntos mais comentados relacionados à sessão da Câmara ao longo do dia.
Câmara aprovou PEC do fim da escala 6x1
A Câmara dos Deputados aprovou a proposta que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas sem redução salarial.
No segundo turno, o texto recebeu 461 votos favoráveis e 19 contrários. Já no primeiro turno, a proposta havia sido aprovada por 472 votos a 22.
A PEC também prevê uma transição gradual para a nova jornada. Inicialmente, a carga horária cairá para 42 horas semanais em até 60 dias após a promulgação. Depois de 12 meses, o limite passará para 40 horas.
A proposta garante ainda ao menos duas folgas remuneradas por semana, sendo uma delas preferencialmente aos domingos.
Agora, o texto segue para análise do Senado Federal. Para entrar em vigor, a PEC precisa ser aprovada em dois turnos nas duas Casas do Congresso Nacional.
Debate sobre jornada de trabalho divide parlamentares
A discussão sobre o fim da escala 6x1 dominou os debates da Câmara durante toda a sessão.
Parlamentares contrários à proposta afirmaram que a redução da jornada pode elevar custos para empresas, pressionar a inflação e provocar demissões.
O deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) afirmou que a medida pode ampliar a informalidade no mercado de trabalho.
Já defensores da proposta argumentam que jornadas menores podem melhorar a produtividade e reduzir afastamentos relacionados à saúde mental e desgaste físico.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que trabalhadores mais descansados tendem a produzir mais e declarou que “desenvolvimento econômico e dignidade humana precisam caminhar juntos”.
A PEC ganhou força após mobilização de trabalhadores organizados no movimento VAT (Vida Além do Trabalho) e passou a ocupar o centro do debate político nas últimas semanas.




