O projeto Frotas Pelo Mundo ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (17) com a publicação de mais um episódio da série documental que acompanha a volta ao mundo do piloto cearense Alex Bacana. O vídeo retrata uma das etapas mais críticas de toda a expedição: a travessia de nove horas entre as Filipinas e a Coreia do Sul, considerada pelo próprio piloto como o voo mais difícil da viagem até agora.
Ao longo do episódio, Alex mostra os bastidores de uma jornada marcada por tensão, mudanças de rota, problemas de navegação, combustível no limite e condições meteorológicas adversas. A travessia ocorreu sobre o oceano, em uma das regiões de maior sensibilidade geopolítica do planeta, cercada pelos espaços aéreos de China, Taiwan, Japão e Coreia do Norte.
O documentário também registra um momento inusitado: em pleno voo, quando já estava a cerca de 200 quilômetros de qualquer faixa de terra, o piloto recebeu a negativa do Japão para utilizar parte do espaço aéreo necessário para concluir a rota. A decisão obrigou mudanças imediatas no planejamento e aumentou ainda mais a tensão durante a viagem.
Travessia reuniu desafios técnicos, climáticos e geopolíticos
O episódio reúne diversos momentos que já haviam sido relatados por Alex durante as atualizações enviadas ao GC Mais, mas agora são apresentados em imagens gravadas durante o voo.
Além da negativa japonesa, o piloto enfrentou uma sequência de desafios simultâneos. Em alguns momentos, precisou lidar com preocupação em relação ao combustível disponível, além de atravessar áreas de mau tempo e enfrentar formação de gelo no para-brisa da aeronave.
Outro fator que aumentou a complexidade da operação foi a intensa movimentação militar na região. Segundo o piloto, embarcações e aeronaves militares utilizavam a frequência internacional de emergência, dificultando ainda mais a comunicação durante parte da travessia.
Mesmo diante dos obstáculos, Alex conseguiu pousar em segurança em Seul, capital da Coreia do Sul, alcançando a marca de 110 dias de expedição.
Da tensão no ar à visita à fronteira mais militarizada do planeta
Após concluir o voo, o documentário muda de cenário e acompanha um dos passeios mais aguardados pelo piloto durante a viagem: a visita à Zona Desmilitarizada da Coreia (DMZ), considerada uma das fronteiras mais tensas do mundo.
O episódio apresenta detalhes históricos da divisão entre Coreia do Sul e Coreia do Norte, incluindo áreas minadas, a réplica do encontro entre os líderes Donald Trump e Kim Jong-un e o chamado Terceiro Túnel, escavado a cerca de 73 metros abaixo da superfície e localizado a aproximadamente 170 metros da fronteira norte-coreana.
As imagens também mostram pontos de observação voltados para o território da Coreia do Norte, um dos momentos mais simbólicos da passagem de Alex pelo país asiático.
Episódio encerra fase asiática antes da chegada à Rússia
O novo capítulo do documentário também registra os preparativos para a etapa seguinte da volta ao mundo: a entrada na Rússia.
Na época das gravações, a autorização para o voo ainda dependia de negociações diplomáticas e de permissões internacionais, especialmente em razão das restrições impostas por países da região.
Dias depois, Alex conseguiu deixar a Coreia do Sul e pousou em Vladivostok, no extremo leste russo. Em seguida, atravessou o estreito de Bering e chegou ao Alasca, retornando ao continente americano e entrando na reta final da expedição.
Volta ao mundo já supera 120 dias de viagem
Iniciada em Fortaleza, a missão Frotas Pelo Mundo já ultrapassa os 120 dias de duração e percorreu mais de 20 países distribuídos pelos cinco continentes.
Ao longo da jornada, Alex Bacana enfrentou temperaturas de até -20°C no Ártico canadense, calor superior a 50°C na Arábia Saudita, panes elétricas em voo, interferências de GPS, travessias oceânicas, restrições de espaço aéreo provocadas por conflitos internacionais e inúmeros desafios burocráticos.
Com cerca de 70% da rota concluída, o piloto agora segue pelos Estados Unidos antes de continuar o retorno ao Brasil, onde pretende concluir um feito inédito: tornar-se o primeiro brasileiro a dar a volta ao mundo sozinho em um avião experimental, passando pelos cinco continentes.




