Um dos fenômenos astronômicos mais aguardados dos próximos anos já tem data marcada. Em 2 de agosto de 2027, um eclipse solar total deverá provocar mais de seis minutos de escuridão durante o dia em determinadas regiões do planeta. O evento vem sendo chamado de “eclipse do século” devido à duração excepcional da fase de totalidade.
No ponto de maior duração, a Lua ficará completamente à frente do Sol por 6 minutos e 23 segundos. Com isso, o fenômeno será o segundo eclipse solar total mais longo do século XXI, ficando atrás apenas do ocorrido em julho de 2009, quando a totalidade chegou a 6 minutos e 39 segundos.
A diferença é que, em 2009, a maior duração ocorreu sobre o Oceano Pacífico. Em 2027, a faixa de totalidade atravessará grandes áreas de terra firme, permitindo que observadores em diferentes países acompanhem o fenômeno por vários minutos.
O eclipse de 2027 será, portanto, o mais longo sobre terra firme desde 1991. A próxima oportunidade de observar um eclipse total ainda mais longo está prevista somente para 2114, quando a totalidade poderá alcançar aproximadamente 6 minutos e 32 segundos.
Onde o eclipse será visível?
A faixa de totalidade terá cerca de 258 quilômetros de largura e atravessará uma extensa região do planeta.
O caminho começará no sul da Europa e seguirá pelo norte da África, avançando posteriormente pelo Oriente Médio. Entre os países que terão áreas dentro da faixa de totalidade estão:
- Espanha;
- Marrocos;
- Argélia;
- Tunísia;
- Líbia;
- Egito;
- Arábia Saudita;
- Iêmen;
- Somália.
Para quem estiver dentro dessa faixa, o céu ficará significativamente mais escuro durante o período em que a Lua bloquear completamente o disco solar.
Egito terá um dos melhores pontos de observação
Entre os destinos mais procurados para acompanhar o fenômeno está o Egito, especialmente a região de Luxor, no sul do país.
Nas proximidades da cidade, a duração da totalidade ficará muito próxima do máximo de 6 minutos e 23 segundos. A localização também transforma o eclipse em um evento especialmente atrativo para o turismo, já que Luxor reúne alguns dos mais conhecidos sítios arqueológicos do país.
A cidade está às margens do Rio Nilo e próxima a locais como o Vale dos Reis, o que deve aumentar o interesse de turistas interessados em combinar a observação astronômica com visitas históricas.
Outras localidades também terão períodos excepcionais de totalidade. Benghazi, na Líbia, por exemplo, ficará mais de seis minutos sob a sombra da Lua. Na Arábia Saudita, cidades como Jeddah também estarão na trajetória, com duração próxima dos seis minutos.
Regiões do sul da Espanha e do norte do Marrocos também terão condições para acompanhar o eclipse total.
Por que o eclipse de 2027 será tão longo?
A duração de um eclipse solar total depende de uma combinação de fatores relacionados às posições da Terra, da Lua e do Sol.
Durante o fenômeno, a Lua passa entre a Terra e o Sol e projeta sua sombra sobre a superfície terrestre. Para quem estiver dentro da chamada faixa de totalidade, o disco solar ficará completamente encoberto.
Em agosto de 2027, a geometria entre os três corpos celestes será especialmente favorável para prolongar esse período.
Um dos fatores é a posição da Lua em sua órbita. Pouco antes do eclipse, ela estará próxima do perigeu, ponto em que fica mais próxima da Terra. Isso fará com que o disco lunar aparente ser um pouco maior no céu, facilitando o bloqueio completo do Sol.
Ao mesmo tempo, a Terra estará relativamente próxima do afélio, período em que fica mais distante do Sol. Como consequência, o Sol apresentará um diâmetro aparente ligeiramente menor.
A combinação entre uma Lua aparentemente maior e um Sol aparentemente menor favorece uma duração maior da totalidade.
Outro fator importante é a localização da trajetória da sombra. O caminho do eclipse atravessará regiões de latitudes relativamente baixas, enquanto a rotação da Terra também contribui para aumentar o período durante o qual determinadas áreas permanecem sob a sombra lunar.
O eclipse poderá ser visto do Brasil?
Não. O eclipse solar total de 2 de agosto de 2027 não será visível do Brasil.
A faixa de totalidade ficará distante do território brasileiro, concentrando-se principalmente entre a Europa, a África e o Oriente Médio.
Isso significa que os brasileiros que quiserem acompanhar o fenômeno terão que viajar para alguma das regiões contempladas pela trajetória do eclipse.
O Brasil, porém, terá uma oportunidade de observar outro eclipse solar em 6 de fevereiro de 2027.
Nesse caso, o fenômeno será anular e poderá ser observado como eclipse parcial em uma área muito maior do território brasileiro.
Eclipse total, anular e parcial: qual a diferença?
No eclipse solar total, a Lua cobre completamente o disco do Sol para quem está dentro da faixa de totalidade. É nesse momento que ocorre a breve escuridão e a coroa solar pode ser observada.
No eclipse anular, a Lua também passa diante do Sol, mas seu tamanho aparente não é suficiente para cobri-lo completamente. Assim, um anel luminoso do Sol permanece visível ao redor da Lua.
Já no eclipse parcial, apenas uma parte do disco solar é encoberta.
Por isso, mesmo que o eclipse de agosto não seja observável diretamente do Brasil, o fenômeno de fevereiro poderá proporcionar uma experiência de observação para parte dos brasileiros.
Quando será o próximo grande eclipse?
O eclipse de 2 de agosto de 2027 promete ser um dos grandes eventos astronômicos da década justamente pela combinação entre duração, ampla faixa de visibilidade e possibilidade de observação em terra firme.
Para quem pretende viajar para acompanhar o fenômeno, locais próximos ao centro da faixa de totalidade serão os mais privilegiados, já que é nessas regiões que a escuridão provocada pelo eclipse permanecerá por mais tempo.




