Marta Dora Grostein, mãe do apresentador Luciano Huck, declarou voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em um vídeo publicado nas redes sociais do filho caçula, o cineasta Fernando Grostein Andrade, ela relatou que ele deixou o Brasil há sete anos após receber ameaças de morte relacionadas à sua orientação sexual.
A professora universitária e arquiteta afirmou que o medo de perder o filho foi um dos fatores que influenciaram sua decisão eleitoral. No depoimento, ela também criticou o período do governo de Jair Bolsonaro (PL) e disse considerar que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial, representaria um retrocesso nas políticas sociais e culturais.
O vídeo foi produzido em parceria com o Movimento 342 Artes e divulgado nas redes sociais de Fernando. Na gravação, Marta relembra as ameaças sofridas pelo cineasta, fala sobre a importância do respeito à diversidade e relaciona sua experiência pessoal ao cenário político brasileiro.
Mãe de Luciano Huck relata ameaças contra o filho
Durante o depoimento, Marta contou que Fernando recebeu ameaças de morte e que o medo de sofrer violência contribuiu para sua decisão de deixar o país. Segundo ela, as mensagens incluíam intimidações explícitas sobre a possibilidade de o cineasta ser assassinado.
“Ter medo de morrer por simplesmente ser quem você é foi uma das razões que fizeram meu filho Fernando, que é gay, sair do Brasil há sete anos”, afirmou.
A professora também relatou que as ameaças incluíam a promessa de que o corpo do filho seria entregue em um caixão fechado. O relato foi associado por ela ao ambiente de hostilidade enfrentado por pessoas LGBTQIA+ e às tensões políticas vividas pelo país nos últimos anos.
Marta aproveitou a publicação para defender o diálogo entre mães e filhos sobre orientação sexual e experiências de preconceito. Ela afirmou que gostaria que outras famílias em situações semelhantes tivessem a oportunidade de ouvir seus filhos e compreender suas vivências.
O depoimento não se limita à experiência familiar. A mãe de Luciano Huck também relaciona a segurança de pessoas LGBTQIA+ à necessidade de preservar direitos e políticas públicas voltadas à diversidade.
Marta Grostein critica governo Bolsonaro e possível vitória de Flávio
Marta também relembrou a própria juventude durante a ditadura militar brasileira. Ao comparar diferentes períodos da história política do país, afirmou que o governo de Jair Bolsonaro representou uma ruptura no processo democrático e nas conquistas sociais que, na avaliação dela, vinham sendo construídas ao longo dos anos.
A professora mencionou as gestões de Fernando Henrique Cardoso e de Lula ao comentar a trajetória política recente do Brasil. Em sua avaliação, uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro poderia comprometer avanços obtidos nas áreas social e cultural.
Ao justificar seu posicionamento, Marta declarou apoio ao atual presidente e associou a escolha à preocupação com a continuidade dessas políticas.
“A gestão do filho do Bolsonaro significa um retrocesso nas políticas que avançaram tanto, principalmente nas áreas sociais e culturais, durante as gestões passadas e a atual do presidente Lula”, afirmou.
A declaração foi feita no contexto da disputa presidencial de 2026, que tem Lula e Flávio Bolsonaro como candidatos no segundo turno. O depoimento de Marta integra as manifestações públicas de personalidades que têm apresentado suas posições políticas durante a campanha.
Cineasta Fernando Grostein Andrade deixou o Brasil em 2019
Fernando Grostein Andrade é cineasta e irmão caçula de Luciano Huck. Ele dirigiu produções como o documentário “Quebrando o Tabu”, lançado em 2011, que aborda o debate sobre políticas de drogas.
O cineasta já havia falado publicamente sobre experiências de homofobia e sobre o impacto do preconceito em sua trajetória. Em 2019, também relatou dificuldades relacionadas à aceitação da própria sexualidade e à violência sofrida ao longo da vida.
A saída do Brasil, há sete anos, voltou ao centro do debate após o depoimento de sua mãe. No vídeo, Marta associa a decisão do filho às ameaças que ele recebeu e ao receio de que sua vida estivesse em risco.
O relato chama atenção para os efeitos que a violência motivada por preconceito pode ter sobre a vida pessoal, familiar e profissional de pessoas LGBTQIA+. No caso de Fernando, a mudança para o exterior foi apresentada pela mãe como uma decisão ligada à necessidade de proteção diante das intimidações.
Ao tornar pública a experiência, Marta também busca incentivar outras famílias a dialogarem sobre orientação sexual, acolhimento e respeito. A mensagem aparece associada à sua manifestação política em defesa da candidatura de Lula e à crítica à possibilidade de mudanças nas políticas sociais e culturais em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.




