A quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 44%, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21). A diferença de um ponto percentual mantém os dois candidatos em empate técnico, já que a margem de erro do levantamento é de dois pontos para mais ou para menos.
Contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo, a pesquisa foi realizada entre 17 e 20 de outubro, período que inclui as entrevistas dos candidatos à emissora e o debate promovido pela TV Bandeirantes no domingo (18). O levantamento também mostra mudanças nos índices de rejeição, na quantidade de eleitores indecisos quando os nomes dos candidatos não são apresentados e na avaliação do governo Lula.
Na comparação com a rodada anterior, divulgada em 14 de outubro, Flávio oscilou de 46% para 45%, enquanto Lula permaneceu com 44%. Os votos em branco, nulos e de eleitores que afirmam não pretender votar somam 9%. Os indecisos na pergunta estimulada, em que os nomes dos candidatos são apresentados, correspondem a 2%.
Pesquisa Quaest mostra disputa apertada no segundo turno
Os números indicam estabilidade na disputa entre os dois candidatos, sem que a oscilação de um ponto de Flávio seja suficiente para alterar o quadro de empate técnico. A margem de erro permite que os percentuais reais dos concorrentes sejam diferentes dos resultados pontuais apresentados pelo levantamento.
A pesquisa espontânea, em que os entrevistados dizem em quem pretendem votar sem receber uma lista prévia de candidatos, também mostra igualdade numérica: Lula e Flávio aparecem com 40% cada. Nessa modalidade, porém, a proporção de indecisos chegou a 14%, ante 7% na rodada anterior.
O resultado sugere que uma parcela maior do eleitorado ainda não definiu ou não declarou espontaneamente sua escolha. O aumento também aparece em recortes específicos: entre as mulheres, o índice de indecisão subiu de 8% para 17%; entre eleitores independentes, passou de 13% para 31%; e, entre beneficiários do Bolsa Família, avançou de 7% para 19%.
Rejeição de Lula cai seis pontos percentuais
A Quaest também mediu a rejeição aos candidatos, indicador que identifica os eleitores que dizem não votar em determinado nome. Lula aparece com 47%, contra 53% na pesquisa de 14 de outubro. A redução de seis pontos percentuais supera a margem de erro de dois pontos indicada pelo instituto.
Flávio Bolsonaro tem rejeição de 52%, ante 54% na rodada anterior. Nesse caso, a queda de dois pontos está no limite da margem de erro e não permite afirmar, isoladamente, que houve uma mudança estatisticamente significativa.
Os índices mostram que mais da metade dos entrevistados declara rejeição a Flávio, enquanto o percentual referente a Lula está abaixo de 50%. Esses dados devem ser lidos separadamente das intenções de voto, pois medem uma dimensão diferente da disputa eleitoral.
Campanhas ajustam estratégias após entrevistas e debate
A nova rodada foi realizada depois de acontecimentos que movimentaram a campanha presidencial. Entre eles estão a promulgação do fim da escala de trabalho 6x1, uma pauta defendida por Lula, as entrevistas dos dois candidatos à TV Globo nos dias 15 e 16 de outubro e o debate promovido pela Band no domingo, dia 18.
Também houve ampliação das mobilizações nas ruas e nas redes sociais em apoio aos candidatos. Nos últimos dias, as campanhas passaram a disputar espaço com narrativas sobre o Bolsa Família. A campanha de Lula afirmou que uma eventual vitória de Flávio poderia colocar o programa em risco, argumento baseado em declarações de Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha do candidato do PL.
O período de entrevistas da Quaest não abrangeu integralmente o momento de maior repercussão dessas declarações, que, segundo o material de apoio, ganharam força na terça-feira (20).
O debate da Band foi avaliado negativamente pelas campanhas, que passaram a ajustar a postura dos candidatos para o próximo encontro, previsto para sexta-feira (23), na TV Globo. Pesquisas qualitativas realizadas pelas campanhas também apontaram insatisfação de eleitores com o primeiro confronto entre os dois concorrentes.
Aprovação do governo Lula fica em empate técnico
A pesquisa avaliou ainda a percepção dos brasileiros sobre a atual gestão federal. A desaprovação do governo Lula ficou em 47%, enquanto a aprovação alcançou 46%. Outros 7% não souberam responder ou preferiram não opinar. Considerando a margem de erro, os índices de aprovação e desaprovação estão tecnicamente empatados.
Na rodada de 14 de outubro, 45% aprovavam o governo e 48% desaprovavam, enquanto 7% não responderam. Assim, a aprovação oscilou positivamente um ponto percentual, e a desaprovação recuou um ponto. Antes do primeiro turno, a desaprovação havia chegado a 49%.
Dados técnicos da pesquisa
A Quaest entrevistou presencialmente 2.154 pessoas com 16 anos ou mais em todo o Brasil, entre 17 e 20 de outubro de 2026. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
A pesquisa foi contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-08535/2026. O segundo turno da eleição presidencial está marcado para domingo (25), e a próxima pesquisa Quaest prevista para antes da votação deve ser divulgada no sábado (24).




