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A Preservação Verde
IGOR LUCENA
Postado em 9 de novembro de 2021
A Preservação Verde

Com o início da COP 26, na Conferência Mundial do Clima, em Glasgow, na Escócia, evidenciou-se que um dos pontos mais importantes dentro do cenário internacional referentes à natureza é a idealização de instrumentos econômicos capazes de gerar incentivos positivos para a preservação do clima e do meio-ambiente; ou seja, é necessário que, além dos chamados créditos de carbono, os países apresentem soluções práticas e reais de como irão incentivar empresas, municípios e produtores rurais a preservar o planeta.

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Neste contexto, o Brasil traz uma inovação que deve ser apresentada às outras nações e que, de fato, vai unir elementos da economia e do meio-ambiente de forma saudável e construtiva ao longo dos dias, as chamadas Cédulas de Produtor Rural Verde – CPR Verde. Esse instrumento funciona como o pagamento de um determinado valor ao produtor rural para que ele mantenha preservada parte de seu terreno, algo que até então não era remunerado, o que, na prática, gerará um incentivo financeiro salutar para a preservação do meio-ambiente.

Essa é a diferença fundamental do CPR Verde, pois o CPR tradicional é um instrumento que existe desde 1994, quando foi instituído pela Lei n. 8.929. Ele serve para que o produtor possa financiar a safra recebendo valores financeiros e dando como garantia de pagamento o resultado futuro de sua produção rural, como acontece com tradicionais commodities de soja e milho. A partir de agora a Revolução Verde passa a alterar essas características e gerar ganhos para o produtor e para o planeta. Isso é formidável sob os aspectos uso e preservação do meio ambiente.

Sob o ponto de vista referente aos negócios, há uma expectativa de que este mercado possa gerar no Brasil cerca de R$ 48 bilhões nos próximos quatro anos e se alinhe com as práticas de ASG (Ambiental, Social e Governança), pois legitima a preservação das florestas, já que ela passa a ser tratada como um ativo de mercado para o qual será possível promover investimento.

No contexto internacional, a apresentação deste instrumento em um fórum como a COP 26 tem um significado ainda maior e mais importante, pois, primeiramente, é capaz de mostrar que o Brasil ainda pode ser um dos players mais relevantes do planeta quando se fala de preservação ambiental. Ao mesmo tempo, pode sinalizar para nações, como as da União Europeia, que estamos fazendo o dever de casa no setor ambiental, o que pode destravar acordos como o UE-MERCOSUL, que deve manter-se, por muitos anos, o mais importante acordo da história do nosso bloco comercial.

O fato de que agora apresentamos um modelo regulamentado, em que fiscalização, seguros, controles, compliance e outros elementos do mercado financeiro passam a integrar-se diretamente com a preservação ambiental, integram as nossas políticas públicas à credibilidade do mercado internacional, tornando a capacidade de nossas operações ambientais cada vez mais efetivas e menos dependentes do orçamento público do Estado, cada vez mais pressionado por demandas sociais como educação, infraestrutura e saúde.

Muitos falam que o Brasil “não perde a oportunidade de perder uma oportunidade”, entretanto eu não gostaria de acreditar nisso. Tenho o sentimento de que o século XXI pode ser o século no qual nosso maior ativo, nossa biodiversidade, pode ser usada para uma transformação industrial e social, já que o planeta inteiro terá como foco a restauração e a alteração do meio ambiente pela sobrevivência da humanidade. De fato, essa é a beleza do capitalismo, pois ele sempre se adapta para sobreviver; ele evolui, e nós com ele: o que favorece a todos!

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