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Whatever it Takes (Tudo que for Necessário)
"Vamos usar todo instrumento existente, na medida em que for necessário, para que as inflações fiquem 'ancoradas' no médio e no longo prazo"
IGOR LUCENA
Postado em 21 de setembro de 2021
Whatever it Takes (Tudo que for Necessário)
Foto: Divulgação

Durante a crise do Euro, em 2012, tempo em que o futuro da Moeda Única estava ameaçado, em que países como Portugal, Grécia e Irlanda viam suas situações econômicas se deteriorarem diariamente e a especulação internacional sobre o Velho Continente se mostrava cada dia mais forte, foram as palavras do ex-presidente do Banco Central Europeu e atual Primeiro-Ministro italiano, Mario Draghi, que acalmaram os investidores e salvaram o mercado financeiro mundial, incluindo o europeu. Em julho daquele mesmo ano, em uma reunião na sede do banco, ele falou aos investidores:

“Dentro do nosso mandato, o BCE está pronto para fazer tudo o que for necessário para preservar o euro”.

Essas palavras foram ouvidas como um sinal de que medidas heterodoxas seriam adotadas para salvar empresas, bancos e nações do grupo, o que de fato foi feito e trouxe Draghi para dentro da história econômica moderna.

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Na última semana, assistimos a um evento similar no Brasil, porém em menor escala, que de fato consolida a independência e o poder do Banco Central do Brasil. Segundo a Agência Brasil, o presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, afirmou que o BC usará o que for preciso para manter a inflação dentro das metas estabelecidas.

“Vamos usar todo instrumento existente, na medida em que for necessária, para que as inflações fiquem ‘ancoradas’ no médio e no longo prazo”, afirmou Campos Neto ao participar do 33º Congresso Nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), visando tranquilizar o mercado financeiro e os agentes econômicos sobre a responsabilidade do BC para controlar a inflação e manter o poder de compra do real.

Para Campos Neto, “O Brasil é um país altamente endividado. Existe uma percepção de piora fiscal, uma expectativa quanto ao que o Brasil vai dever fazer para voltar ‘aos trilhos’ do equilíbrio fiscal. Qualquer notícia que possa fazer os agentes econômicos entenderem que há uma desestabilização fiscal gera efeito nas variáveis macroeconômicas, o que representa influência na recuperação do crescimento econômico”.

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Apesar de haver semelhança nos discursos, a Europa e o Brasil vivem cenários distintos sob o ponto de vista fiscal e monetário. Observe-se ainda que a desconfiança dos agentes econômicos e dos investidores é a mesma, pois o futuro no Brasil hoje é incerto sob a ótica econômica e fiscal. Neste sentido, em um cenário de deterioração fiscal, torna-se necessário que a autoridade monetária brasileira se mostre tal como se vê na Europa, relevante e ativa, com objetivos claros que possam ajudar o País a voltar aos patamares da responsabilidade fiscal para acabar com a desconfiança dos investidores nacionais e estrangeiros. É expectativa de todos que possamos recuperar o que já foi perdido em outras épocas de dificuldade econômica.

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