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As deficiências da Democracia Representativa
Em pesquisa da Ipsos, brasileiros revelam a desconfiança em relação ao modelo representativo
Carla Michele Quaresma
Postado em 2 de agosto de 2021
As deficiências da Democracia Representativa
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Entre os dias 26 de março e 09 de abril de 2021, a empresa Ipsos realizou uma pesquisa com mais de 19.000 entrevistados em 25 países, entre eles, o Brasil. 

O referido levantamento objetivou identificar percepções de pessoas entre 16 e 74 anos de idade sobre a política, a economia e a sociedade dos seus países. 

Resultados apontam descontentamento

De acordo com os resultados obtidos pelo estudo, os brasileiros são os que mais sentem a Sociedade em declínio:  80% dos entrevistados  acreditam que os mais ricos do país são privilegiados pela política econômica, 78% afirmam que os partidos políticos são alheios aos interesses comuns e 87% acham que a classe política visa somente os seus próprios interesses. 

As conclusões revelam ainda que 74% dos respondentes aderem ao ideário de uma liderança forte para contemplar os interesses da população mais pobre. 

Finalmente, 70% das pessoas que compuseram a amostra entendem que as decisões políticas fundamentais devem passar pela consulta popular, através de referendos. 

Os dados acima denunciam o desencantamento dos entrevistados em relação ao modelo representativo e apontam as maiores deficiências do formato. 

Razões da insatisfação

As críticas ao regime democrático representativo não são exclusivas da nossa época ou da nossa sociedade. Desde que o modelo se consolidou, autores alertaram  para o fato de que os interesses pessoais prevaleceriam sobre o interesse coletivo.

Todavia, a insatisfação foi aprofundada ao longo do tempo por várias razões, algumas apontadas na pesquisa:

  1. Distanciamento entre as decisões políticas e as necessidades da maioria da população; 
  2. Privilégio dos interesses dos grupos economicamente dominantes; 
  3. Partidos políticos sem ideologia ou compromisso programático.

O cotidiano da política nacional reforça essa insatisfação quando, para citar alguns exemplos, aprova um fundo de campanha bilionário em detrimento das necessidades básicas de uma população desalentada; quando opta pela relação promiscua entre os poderes transformando tudo em “centrão” ; quando manobra uma proposta de reforma tributaria que conserva privilégios para grupos economicamente hegemônicos. 

Eis o grande risco para a democracia: um povo descrente no regime em uma sociedade com a marca forte do autoritarismo e o histórico de rupturas institucionais. 

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