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Desemprego, subemprego e desalento
A realidade de milhões de brasileiros
Carla Michele Quaresma
Postado em 24 de outubro de 2021
Desemprego, subemprego e desalento
Na avaliação da CNI, o encolhimento da economia no ano passado e a continuidade da pandemia de covid-19 justificam a preocupação com o desemprego. (Foto: Reprodução)

Com o advento do modo de produção capitalista, o mundo do trabalho consolidou-se como a infra estrutura promotora dos elementos necessários para cultivar o sentido de pertencimento do indivíduo em relação a sociedade em que vive. 

Desse modo, a cidadania como elemento definido pela participação na vida social, é conquistada via aquisição de mercadorias e serviços. 

Essa abordagem nos permite afirmar que para milhões de brasileiros é negada a condição de cidadania. São pessoas desempregadas, desalentadas ou subempregados que não conseguem, muitas vezes, prover o mínimo necessário para sobrevivência: o alimento.  

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada pelo IBGE em julho de 2021, o país tem 14,795 milhões de desempregados. Os subutilizados (pessoas que gostariam de trabalhar mais) somam 32,946 milhões. E os desalentados são 5,710 milhões. 

Consequências do desemprego 

A consequência mais visível do subemprego ou do desemprego é a queda ou perda da renda, ocasionando a privação econômica. Mas o fenômeno causa outros danos  às pessoas. 

A ausência do emprego pode gerar problemas físicos como alterações no sistema cardiovascular, imunológico, gastrointestinal. 

Além disso, o desemprego provoca mudanças comportamentais, ao desorganizar a vida diária, que podem deteriorar a vida familiar, gerar dificuldades cognitivas, provocar a perda da noção de identidade, insegurança, instabilidade emocional, angústia, ansiedade, depressão, auto agressão e até o suicídio. 

Tudo isso repercute na vida social porque degrada as relações interpessoais ao levar indivíduos para o isolamento e aumenta a propensão a problemas como a violência e a criminalidade, portanto, afeta toda a estrutura social e impacta na vida de todos os indivíduos, inclusive daqueles que não passam pela situação de desemprego.  

Desemprego é Problema de todos 

A geração de emprego e de renda faz parte da função estabilizadora do Estado, financiada pela carga tributária. Portanto, a competência governamental é indiscutível. Desenvolvimento de infra estrutura, qualificação dos serviços que promovem o bem estar social, são formas rápidas de geração de emprego e de melhoria das condições de vida de todos os indivíduos. 

Mas a responsabilidade também é das empresas que usufruem do valor gerado por seus colaboradores. Em logo prazo, investindo em programas de capacitação da força de trabalho, por exemplo, os negócios garantem a permanência dos trabalhadores no mundo do trabalho em constante mutação. 

Desenvolvendo ações dessa natureza, as empresas ganham em produtividade, na retenção de talentos e na imagem que edificam perante a sociedade. 

Transferir renda é imprescindível e urgente

Indubitavelmente, geração de emprego é o melhor programa social. Mas existe a situação de desemprego que é própria do capitalismo, em virtude da necessidade de formação do exército de reserva e da ausência de qualificação de um percentual elevado de pessoas. Nesses casos, programas de transferência de renda são imprescindíveis e urgentes para garantir que qualquer humano não tenha que se submeter a uma condição desumana na busca pela sobrevivência. 

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