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Empregabilidade de profissionais LGBTQPIAN+, um tema que precisa avançar nas empresas brasileiras com urgência
Postado em 23 de junho de 2022
Empregabilidade de profissionais LGBTQPIAN+, um tema que precisa avançar nas empresas brasileiras com urgência
O resultado aponta uma diferença de percepção entre o público geral, formado majoritariamente por homens, brancos, hétero-cis-normativos e os respondentes que têm marcadores identitários, entre eles a população LGBTQPIAN+. Imagem: freepik

Neste mês, o mundo celebra o Orgulho LGBTQPIAN+, data que marca a luta pela garantia de direitos e valorização da diversidade sexual em toda a sociedade. Segundo a Escala Kinsey, estimativas apontam que a população LGBTQPIAN+ é composta por cerca de 20 milhões de pessoas, ou seja, 10% da população.

Mesmo com a valorização da diversidade ganhando espaço dentro das empresas, ainda existe um grande desafio para que as organizações reflitam em seus quadros funcionais a demografia da sociedade brasileira. Ainda há muito o que avançar em termos de inclusão e empregabilidade de profissionais LGBTQPIAN+.

O estudo inédito Diversidade, Representatividade & Percepção – Censo Multissetorial da Gestão Kairós traz dados importantes sobre a ausência de profissionais LGBTQPIAN+ nas empresas, o que confirma que apesar do engajamento das empresas para ampliar a valorização da diversidade sexual, o caminho a ser percorrido ainda é longo. Realizado entre 2019 e 2021, o estudo contou com a participação de mais de 26 mil respondentes no quadro geral e gerente acima, e os dados reforçam essa sub-representação, profissionais Lésbicas, Gays e Bissexuais são somente 5,4% do Quadro Funcional e 3,4% da Liderança (nível gerente e cargos acima) e Transgênero (travestis e transexuais) não chega a 1% em ambos.

Liliane Rocha, CEO e Fundadora da Gestão Kairós, consultoria de Sustentabilidade e Diversidade, afirma que um dos principais passos para avançar nesse debate é ampliar o entendimento acerca da sigla LGBTQPIAN+. “Para a empresa valorizar a Diversidade Sexual é fundamental que tenha uma política séria que envolva a contratação, retenção, e o desenvolvimento de uma cultura organizacional que foque profissionais LGBTQPIAN+ de forma assertiva e duradoura. Esse é um dos caminhos para avançarmos neste tema, que do meu ponto de vista está mais do que atrasado. As empresas que entenderem essa necessidade e conseguirem transformar seus espaços em locais de acolhimento profissional, psicológico e emocional para os públicos de diversidade, certamente vão se destacar em seus mercados, mas para isso é preciso começar logo”, acredita a executiva.

Ainda como parte do estudo, a consultoria buscou entender como os respondentes percebem o trabalho de valorização da Diversidade que vem sendo realizado dentro de suas empresas. O resultado aponta uma diferença de percepção entre o público geral, formado majoritariamente por homens, brancos, hétero-cis-normativos e os respondentes que têm marcadores identitários, entre eles a população LGBTQPIAN+.

No tema diversidade sexual, 80% dos pesquisados afirmaram perceber a valorização da temática nas empresas, porém, 38% de autodeclarados Lésbicas, Gays e Bissexuais não percebem ações efetivas para valorizar ou trazer mais profissionais LGBTQPIAN+ para dentro das empresas. Além disso, 28% de autodeclarados Transgêneros não percebem a valorização da Diversidade quanto ao tema em questão. Soma-se a isso o fato de que 33% do total de relatos de casos em que se soube ou se presenciou discriminação ou preconceito nas empresas está relacionado à diversidade sexual (orientação sexual e identidade de gênero), sendo este o maior índice desfavorável em relação à temática de diversidade nas empresas.

 “A diferença de percepção entre pessoas heterocisnomartivas e pessoas LGBTQPIAN+ evidencia o quanto acontecimentos cotidianos como homofobia e transfobia podem ser percebidos de forma distinta, de acordo com as vivências de cada profissional. Por isso, é tão importante trabalhar o letramento, a sensibilização e a ampliação de conhecimentos quando falamos de diversidade sexual. Além dos fatos da homofobia em si, atualmente está prevista em lei”, alerta Liliane Rocha.

Luis Eduardo, especialista em Diversidade da Gestão Kairós, entende que outro caminho para avançar nesse tema dentro das empresas é começar a focar na interseccionalidade. “De maneira geral, as empresas estão trabalhando a temática da diversidade para que consigam avançar nos principais temas e lacunas de representatividade da sociedade em suas estruturas, um tanto mais no quadro funcional. Entretanto, o estudo inédito da Gestão Kairós que foi na vanguarda da produção de dados estatísticos, aponta uma questão ainda mais profunda quando falamos em interseccionalidade. Ou seja, em que perspectivas programas de diversidade, profissionais aliados e aliadas estão trabalhando essa inclusão e valorização?”, questiona.

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