Trabalho voluntário traz benefícios pessoais e profissionais

Compartilhe:
1 de janeiro de 1970
Jonas Viana

A pesquisa do Itaú Social e Instituto Unibanco realizada pelo Datafolha no último mês de dezembro aponta que 71% dos brasileiros têm interesse no voluntariado. Esta iniciativa espontânea é ainda mais necessária com a pandemia da Covid-19, e com as confirmações de novos casos da variante Ômicron em Goiás, dadas pelo governo do Estado, o auxílio é ainda mais urgente.

“Neste contexto de pandemia que vivemos, a realidade é cruel para muitos: sem emprego, sem comida, sem teto. Portanto, toda e qualquer forma de ajuda é válida”, afirma a enfermeira e voluntária Uyara da Conceição. Ela encontrou a instituição que auxilia hoje por meio da plataforma do Instituto Conecta Brasil, que conecta pessoas de todo Brasil interessadas em trabalho voluntário a vagas em organizações sociais, e doadores a campanhas de doações, como arrecadação de alimentos e materiais, por exemplo.

Neste mês de fevereiro, dado o aumento desta nova variante, o Conecta está com campanhas de Combate ao Covid abertas, como da instituição goianiense Núcleo Mãe Dolorosa, que está solicitando cerca de 250 kits de limpeza, que contém água sanitária, Lysoform, detergente e sabonete líquido, além de itens de higiene pessoal como álcool líquido 70%, álcool em gel, máscaras e luvas descartáveis.

Todas as informações estão disponíveis no site do Conecta Brasil, que de 2021 para cá, já contribuiu para que mais de 20 campanhas de doação de materiais de limpeza tivessem sucesso, com 2.023 itens doados. O Instituto tem uma taxa de sucesso de mais de 70%, onde as campanhas abertas na plataforma conseguem arrecadação de forma total ou parcial.

Não tem preço

Uyara, inclusive, é um exemplo de quem exerce o voluntariado em sua própria área de atuação, pois atua auxiliando mães na área da saúde, na instituição Projeto Amor de Mãe. “Percebo que a prática me proporciona mais experiência e qualificação na minha profissão e ainda tenho o enorme benefício de exercer minha humanidade… são trocas que não tem preço”, conta.

Já a estudante Maria Eduarda Vasquez atua como voluntária em uma área diferente da de seus estudos, mas confirma sentir muita satisfação ao agregar suas qualidades em prol do próximo. Ela aconselha que todos pratiquem o voluntariado, afinal, pequenos atos fazem toda a diferença. “O mínimo detalhe pode ser a única esperança que outra pessoa do outro lado vai receber. É um ato de amor e de respeito com o próximo”.

Satisfação e Network

Lina Bocchi, analista de relacionamento do Instituto Conecta Brasil,  afirma que o voluntariado permite um desenvolvimento pessoal de habilidades únicas, não só na sensibilidade de olhar o outro com amor e empatia, mas também permite um aprimoramento na atenção aos detalhes, escuta ativa, senso de pertencimento, altruísmo e solidariedade. “A pessoa que pratica voluntariado passa a se preocupar com propósito, engajamento e valores. Cria-se zelo e vontade de buscar alternativas extras para solucionar situações-problema para ajudar as pessoas”.

Tom Peters, escritor e economista americano especializado em práticas de gestão de negócios, afirma que cercar-se de pessoas diferentes é um ponto fundamental para o crescimento profissional. Neste sentido, participar de programas de voluntariado é um ótimo exemplo.  “A atuação no voluntariado ajuda no desenvolvimento de competências como liderança, comunicação e resolução de problemas, ao mesmo tempo em que desenvolve trabalho em equipe”, finaliza Bocchi.

Talvez por estes motivos tantas empresas estejam valorizando em seus times contratação de pessoas que praticam o voluntariado, seja em tempo ou doações. Inclusive, é notável o crescimento da vertente da cultura do voluntariado empresarial no Brasil. A adoção de práticas ESG (sigla em inglês que significa environmental, social and governance, e corresponde às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização) abriu um novo horizonte de possibilidades de crescimento profissional nas instituições, especialmente durante a pandemia. “Do ponto de vista profissional, a participação em programas de voluntariado, apesar de não ter esse objetivo, contribui para o desenvolvimento pessoal de competências como liderança, comunicação e resolução de problemas, ao mesmo tempo em que desenvolve trabalho em equipe”, reitera.