CINEMA

Crítica de Cinema: “Conclave” – Um jogo de poder e suspense

Filme, baseado no romance de Robert Harris, traz uma narrativa que não apenas captura a essência de um conclave, mas também revela as complexidades humanas que permeiam o poder e a fé

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10 de março de 2025
Fernanda Leite

“Conclave”, dirigido por Edward Berger um mestre do suspense psicológico, e escrito por Peter Straughan, mergulha o espectador em uma trama envolvente que se desdobra em meio às intrigas e tensões de um dos momentos mais decisivos da Igreja Católica. O filme, baseado no romance de Robert Harris, traz uma narrativa que não apenas captura a essência de um conclave, mas também revela as complexidades humanas que permeiam o poder e a fé.

Crítica de Cinema: “Conclave” – Um jogo de poder e suspense
Foto: Reprodução

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Desde o início, o roteiro se destaca pela sua precisão e profundidade. A escrita afiada e inteligente constrói diálogos que refletem a tensão no ar, enquanto os cardeais se reúnem para eleger um novo Papa. No início, quatro são os favoritos: o cardeal ultraconservador Tedesco (Sergio Castellito), o cardeal progressista e liberal Bellini (Stanley Tucci), o pragmático e reservado cardeal Tremblay (John Lithgow) e o carismático cardeal africano Adeyemi (Lucian Msamati). Todos almejam a eleição, mas a disputa se complica com a presença de dois cardeais que, embora não estejam sedentos por poder, também atraem votos. O decano do Colégio Cardinalício, Thomas Lawrence (Ralph Fiennes) – e o modesto cardeal mexicano Benítez (Carlos Diez), arcebispo de Cabul, que foi nomeado cardeal in pectore (em segredo) pelo falecido pontífice, entram na corrida, trazendo uma nova camada de complexidade à trama.

O texto é rico em nuances, explorando não apenas as crenças e motivações dos personagens, mas também as manobras políticas que ocorrem nas sombras. Cada fala é carregada de significado, e a forma como os diálogos se entrelaçam com as ações dos personagens mantém o público em constante expectativa.

O suspense cresce em intensidade à medida que os cardeais, isolados em uma capela repleta de simbolismo, se veem confrontados não apenas uns com os outros, mas também com seus próprios fantasmas. O diretor habilmente utiliza a claustrofobia do cenário para amplificar a tensão, fazendo com que cada decisão e cada olhada carreguem um peso imenso. Os momentos de silêncio são tão impactantes quanto as palavras proferidas, criando um ambiente de constante incerteza.

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Ralph Fiennes, protagonista da narrativa, destaca-se em sua brilhante atuação como cardeal, gerando sua terceira indicação ao Oscar. Ele já foi indicado para ‘A Lista de Schindler’ em 1993 e ‘O Paciente Inglês’ em 1996. O ator Stanley Tucci traz uma profundidade impressionante ao seu personagem. Sua performance é um dos pilares do filme, transmitindo a complexidade emocional de um homem dividido entre a fé e a ambição. Os coadjuvantes também não ficam atrás, com atuações que complementam e enriquecem a narrativa, cada um trazendo uma perspectiva única para o conclave.

O cenário e a fotografia de “Conclave” são verdadeiros protagonistas. A capela, com sua arquitetura majestosa e detalhes meticulosamente cuidados, serve como um palco perfeito para a dramatização. Cada ângulo da câmera é cuidadosamente escolhido, capturando a grandiosidade do espaço e, ao mesmo tempo, a intimidade dos personagens. As sombras e a iluminação são utilizadas de forma magistral para evocar emoções, criando uma atmosfera que é ao mesmo tempo reverente e opressora.

Em suma, “Conclave” é mais do que apenas um filme sobre a eleição de um novo Papa; é um estudo sobre poder, fé e a condição humana. Com um texto brilhante, um suspense envolvente, atuações memoráveis e uma direção primorosa, o filme se destaca como uma obra que provoca reflexão e emoção. É uma experiência cinematográfica que não deve ser perdida, especialmente para aqueles que apreciam histórias que exploram as intricadas relações entre crença e poder. “Conclave” é, sem dúvida, uma adição valiosa ao gênero de suspense psicológico e uma prova do poder do cinema em nos fazer questionar e refletir.

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