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Desafios da mídia tradicional com o avanço da internet

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2 de dezembro de 2020
Jonas Viana
Desafios da mídia tradicional com o avanço da internet

Na última década, vivenciamos uma série de transformações e mudanças na maneira que consumimos mídia, impactando, de maneira direta, o comportamento do consumidor e sua relação com o cotidiano. O mercado de comunicação tem uma certeza: estamos em um momento decisivo, visando construir uma audiência mais horizontalizada e multi-device.

Paralelamente, é indiscutível o papel que a internet e a tecnologia trouxeram ao dia a dia da população, pois fomos e seremos impactados por um volume de dados e uma ampla produção de conteúdo nunca experimentados na história. Este cenário nos leva a uma pergunta: na era do streaming, como ficam os meios tradicionais de mídia?

O fato é que o consumo de vídeo e áudio online aumentou e se consolidou no Brasil. Entre os usuários de internet em 2019, 74% assistiram a programas, filmes, vídeos ou séries, e 72% ouviram música online, conforme detalhou a pesquisa TIC Domicílios 2019, mais importante levantamento sobre acesso a tecnologias da informação e comunicação, realizada pelo Centro Regional para o Desenvolvimento de Estudos sobre a Sociedade da Informação, vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil. Por outro lado, é visível que o cenário em 2020, principalmente com o estabelecimento de lockdowns, restrição de circulação e outros aspectos relacionados ao efeito devastador da pandemia, transformaram e construíram novos hábitos de consumo de mídia, impactando positivamente para o crescimento do consumo de streaming.

Em relação aos meios tradicionais de mídia, restringindo-me, neste momento, à TV e ao rádio, continuam fortes e relevantes, pois, em um país marcado por desigualdades sociais e uma configuração sociodemográfica complexa, não podemos descartar a contribuição generosa que essas plataformas proporcionam à população brasileira, que conta com uma programação aberta e de qualidade, incluindo a amplitude e presença radiofônica nos mais diversos lares e veículos que circulam por todo o território nacional.

Segundo dados da Kantar Ibope Media, o tempo médio que cada pessoa passou assistindo à TV diariamente na primeira semana de abril de 2020 foi de 7 horas e 54 minutos, o que significa um aumento de 1h20 em relação à primeira semana de março, antes da pandemia. Reforçando essa questão, o mesmo instituto mostra, em recente pesquisa, que 97% dos consumidores conectados ao redor do mundo continuam acompanhando o conteúdo televisivo.

Em relação ao rádio, o estudo recente Inside Radio 2020, que reúne dados atualizados sobre perfil e comportamento de ouvintes, mostra que 75% afirmaram ouvir rádio com a mesma intensidade, ou até mais, em comparação com o período anterior à crise sanitária. Destes, 17% afirmaram ouvir muito mais rádio após o início do período de isolamento social.

Em suma, não temos como desconsiderar a força e a democratização proporcionada pela internet e demais players digitais, mas, paralelamente, não podemos menosprezar a capilaridade e rápida capacidade de adaptação dos meios tradicionais frente às novas tecnologias, que abrangem, nesses novos devices, recursos e interações como um grande aliado – e não como inimigos.