Brasil

Relatório aponta índice de desmatamento causado pela pecuária

Levantamento aponta relação entre o aumento da área de pastagem e a perda da cobertura natural em região

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26 de outubro de 2020
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Relatório aponta índice de desmatamento causado pela pecuária

Um relatório inédito produzido pela ONG Mercy For Animals evidencia a relação direta entre o desmatamento da Floresta Amazônica e a abertura de novas áreas de pastagem para a pecuária em municípios do Pará e Rondônia. 

O relatório, que combina análise de dados e imagens de satélite de alta resolução, aponta que, dos 25 municípios com maior área desmatada na Amazônia Legal em 2019, 10 estão entre os 50 municípios com a maior população de bovinos do país. Juntos, esses 10 municípios foram responsáveis por quase 30% da área desmatada na região em 2019 — uma escala equivalente a uma vez e meia o tamanho da cidade de São Paulo — e por 22,5% das queimadas.

Apesar de representarem apenas 1,2% do total de 772 municípios da Amazônia Legal, esses 10 municípios abrigam 9,8% da população de bovinos existente no território e 12,5% das pastagens localizadas no bioma amazônico. Todos estão situados na zona de compra de matadouros pertencentes às três gigantes do setor frigorífico no Brasil. Juntas, essas três empresas são responsáveis por aproximadamente 70% dos abates de bovinos criados na Amazônia.

“De janeiro a junho deste ano, o desmatamento aumentou 25% em comparação com o mesmo período em 2019, e a pecuária continua sendo a principal causa dessa destruição” afirma Sandra Lopes, diretora-executiva da Mercy For Animals no Brasil. “É muito preocupante que algumas das maiores empresas alimentícias do Brasil estejam direta ou indiretamente associadas ao desmatamento da Floresta Amazônica. A Amazônia é fundamental para o nosso planeta e para o clima. É urgente que empresas, governos e pessoas atuem para protegê-la, ou o nosso futuro estará em risco”. 

Em meio século, de 1970 a 2019, 718.918 km² da Floresta Amazônica foram destruídos, ou cerca de 17% da cobertura florestal anterior a 1970, o equivalente a uma área maior que a França continental, a Inglaterra e a Bélgica juntas. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), de 1990 a 2005, mais de 80% da área desmatada na Amazônia brasileira foi transformada em pastagem. No mesmo período, a população de bovinos do Brasil aumentou 40%, e o país tornou-se o maior exportador de carne bovina do mundo. A expansão da pecuária nos estados amazônicos foi responsável por 80% de tal crescimento. Em 2018, havia 86,6 milhões de bovinos na região. Naquele mesmo ano, o pasto ocupava 534.317 km² da paisagem Amazônica, o equivalente a 75,5% da área desmatada. 

Em 2019, a taxa de desmatamento da Amazônia brasileira aumentou drasticamente, atingindo proporções não registradas em mais de 10 anos. Foi desmatada uma área de 7.701 km² de floresta primária, o equivalente a cinco cidades de São Paulo ou 713.100 campos de futebol, a maior parte sem autorização das autoridades competentes. Em 2020, o dano ambiental deverá ser ainda mais grave. De janeiro a junho, a taxa de desmatamento aumentou 25% em comparação com o mesmo período em 2019. Junho de 2020 foi o 14º mês de aumento ininterrupto das taxas de desmatamento e o pior mês de junho desde 2015.