Seguir em frente sem ter resolvido nossos nós emocionais e feridas vitais não é uma boa opção. Devemos ser capazes de transitar nesses mundos internos para dar forma a uma versão melhor de nós mesmos. Conseguir seguir em frente sem olhar para trás nem sempre é fácil. Não quando a tristeza pesa em excesso e arrastamos conosco a dor de tantas batalhas e feridas.
Às vezes, é necessário parar no caminho para curar, nos recompormos e até mesmo nos reinventarmos. Somente quando tivermos moldado uma nova e melhor versão de nós mesmos estaremos prontos para continuar. Lembramos aqui do momento em que Jesus disse a aqueles que ele chamou: “QUEM PÕE A MÃO NO ARADO E OLHA PARA TRÁS NÃO É DIGNO DE MIM” (Lc 9,62).
Nesse sentido, podemos equiparar a vida a um tecido bordado de começos e fins. São dois lados da mesma moeda, estão cheios de emoções conflitantes que nem sempre sabemos como enfrentar, de medos e ansiedades aguçadas que pesam no aparecimento de novas oportunidades. Fazê-lo da melhor maneira determina definitivamente a integridade e a qualidade de tudo aquilo que pode vir depois.
É muito comum, por exemplo, que depois de passar por um momento ruim alguém nos diga: “você precisa seguir em frente”. No entanto, como fazer isso quando há tantos pesos emocionais e angústias dentro de nós? Estamos certos de que devemos olhar para a frente, mas nem sempre é fácil gerar esse progresso, esse avanço real. Porque a dor tem raízes profundas e não podemos arrancá-las de modo a passarmos para outro espaço, para outro lugar começando tudo do início.
Devemos ser capazes de reparar e transformar para criar algo novo com base no que somos, no que vivemos e no que aprendemos. Esse processo pode levar tempo, mas, depois disso, nos daremos a oportunidade de recomeçar da melhor maneira. As pessoas não mudam, elas avançam. O ser humano se transforma quantas vezes forem necessárias, não por capricho, nem por prazer, mas para enfrentar a adversidade e se erguer como um ser mais resistente, habilidoso e preparado.
Somos conscientes de que conseguir seguir em frente é a única opção vital que temos, pois a oposta é ficarmos presos. No entanto, façamos da melhor maneira: sem fugir de nós mesmos e desse interior que, como um quarto bagunçado e escuro, requer nossa atenção, requer ordem, oxigênio e mudança. Vamos, portanto, nos permitir recomeçar em nossos caminhos pessoais com uma versão atualizada, forte e esperançosa.
Encerro nosso encontro deixando um pensamento de Clarice Lispector:
“Superar é preciso. Seguir em frente é essencial. Olhar pra trás é perda de tempo. Passado se fosse bom era presente....”
Deus abençoe você.
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