O mais importante estrategista geopolítico dos Estados Unidos foi Zbigniew Brzezinski, que ocupou o cargo de Special Security Advisor no governo do Presidente Jimmy Carter. Dentre suas diversas análises sobre poder, finanças e desenvolvimento, seu foco mais importante foi a atenção dada à Eurásia, uma massa de terra comum que se estende do Cabo da Roca em Portugal até a Península da Malásia.
Brzezinzki teve um olhar especial para essa região, porque cerca de 75% das pessoas do mundo vivem na Eurásia e a maior parte da riqueza física do mundo também está lá, tanto em empreendimentos, como em tecnologias e riquezas naturais. A Eurásia é responsável por cerca de três quartos dos recursos energéticos conhecidos do mundo e atualmente por mais de 60% de todos os Investimentos Diretos Estrangeiros ao redor do planeta.
Com a nova abertura comercial do Brasil iniciada no governo Temer e seguida com o governo Bolsonaro, a Eurásia parece ter encontrado o Ceará. Já é notório a transformação econômica realizada pela sul-coreana Posco com a instalação da Siderúrgica do Pecém. A região de São Gonçalo do Amarante parece, em muitas áreas, ter virado uma pequena colônia coreana, impactando diretamente as importações e exportações cearenses.
Os europeus aproveitaram os potenciais turísticos do Ceará com a aquisição do Aeroporto Pinto Martins pela alemã Fraport AG e o porto do Pecém por parte da Haven van Rotterdam. A franco-holandesa KLM-Airfrance transformou o Ceará em seu hub comercial para o Nordeste do Brasil. Do ponto de vista da tecnologia, a africana Angola Cables promete melhorar ainda mais o desenvolvimento de redes com a instalação do South Atlantic Cable System.
Mesmo não estando alinhados politicamente, o Governo Federal e o Governo Estadual foram capazes de tomar medidas nos últimos anos que atraíram capital internacional para o Ceará, e quem ganha com isso é a população. Seria impossível que políticas econômicas nacional-desenvolvimentistas defendidas por políticos e partidos presos aos anos 60 pudessem realizar em tão pouco tempo o que apenas o capital privado, movido pela possibilidade real de lucro, consegue. Assim se demonstra no nosso quintal o triunfo do capitalismo liberal em um estado pobre e distante do centro econômico mundial.
A pergunta que se faz agora é: Como meta político-econômica a nível de estado, o que queremos? Há muitos anos o Ceará possui pouco mais de 4% da população brasileira, mas nunca conseguimos ultrapassar mais de 2% do PIB nacional. Se uma paridade PIB/população ainda for uma meta factível, ainda que longínqua, é por meio da economia de mercado e com foco na Eurásia que poderemos um dia alcançá-la.




