O presidente recém-eleito da Guatemala, Bernardo Arévalo, finalmente tomou posse após um tumultuado atraso de quase nove horas, marcado por protestos e incertezas políticas. A cerimônia ocorreu na madrugada desta segunda-feira (15), no Teatro Nacional da Guatemala, com a presença do vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin, representando o Brasil.
Arévalo, de 65 anos, sucede Alejandro Giammattei e assume o cargo após meses de incerteza. A posse, originalmente programada para as 15h do domingo (14), foi marcada por debates sobre a suspensão do partido Movimento Semilla, que apoiou a eleição do novo presidente, devido a suspeitas de irregularidades.
O Congresso reverteu a suspensão do partido, permitindo que os 23 parlamentares do Semilla também tomassem posse, com 93 votos a favor dos 160 deputados. O atraso levou a tensões e protestos na Plaza de la Constitución, na Cidade da Guatemala, aumentando temores de um possível "golpe de Estado".
O presidente eleito acusou a procuradora-geral da Guatemala, Consuelo Porras, e outros atores corruptos de obstruírem a cerimônia de posse. O Ministério Público e a Procuradora-Geral conseguiram a suspensão provisória do partido de Arévalo por suspeitas de irregularidades no processo de criação em 2017. Também tentaram anular as eleições e retirar a imunidade de Arévalo e do vice-presidente eleito, ações duramente criticadas por Estados Unidos, União Europeia, ONU e OEA.
Arévalo foi eleito em agosto com o compromisso de combater a corrupção endêmica na Guatemala, classificada em 150º lugar entre 180 países pela Transparência Internacional. A solenidade de posse contou com a presença de líderes estrangeiros, incluindo os presidentes chileno Gabriel Boric e colombiano Gustavo Petro, além de representantes dos EUA, União Europeia e rei da Espanha. Durante o longo atraso, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, manifestou a expectativa de que Arévalo tomaria posse ainda no domingo.




