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Conheça o povo Pitaguary do Ceará e a árvore de 300 anos, símbolo da comunidade

Conheça o povo Pitaguary do Ceará e a árvore de 300 anos, símbolo da comunidade

Foto: Reprodução

A segunda reportagem da Série Povos Originários, exibida pelo Jornal da Cidade, mostra a história de luta e resistência do povo Pitaguary para defender a demarcação de terras. Dentro da comunidade, localizada entre os municípios de Maracanaú e Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza, existe uma árvore sagrada de mais de 300 anos, onde os grupos se reúnem para, anualmente, reverenciar os seus antepassados.

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O povo Pitaguary ganhou visibilidade na década de 1990, quando se organizou em defesa da demarcação de terras. A comunidade conta com 735 hectares e 5 mil habitantes. Os Pitaguary são provenientes do povo Potiguara, que ocupou a costa cearense no século XVI. Hoje, a comunidade vive em quatro localidades: Olho D’água, Horto, Monguba e Santo Antônio.

“Nós tentamos manter ainda o costume original desde a presença de pessoas estranhas dentro do território e combatemos diariamente a especulação imobiliária que tem trazido uma problemática muito grave para o território sobretudo para o processo de homologação da terra, diz Cacique Kauan, líder do povo Pitaguary.

Para a Cacique Madalena, que há 30 anos atua na defesa do território Pitaguary, muito além de lutar por moradia, é preciso batalhar também pela valorização de uma identidade originária do povo.”O que mais nos machuca é a violação dos direitos e é nesse contexto que nós resistimos e lutamos porque temos o direito garantido, mas se não formos à luta ele permanece lá no papel guardadinho”, afirma.

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A árvore sagrada de 300 anos do Povo Pitaguary

Santo Antônio é a localidade mais representativa para os Pitaguary. Não somente por marcar o início da mobilização indígena, mas por concentrar lugares que remontam à memória dos antepassados. A resistência é uma das características mais fortes do povo Pitaguary.

Muito disso se traduz em uma mangueira, considerada encantada pela comunidade. Lá, os índios escravizados, quando tentavam fugir dos senhores feudais que ocupavam o território, eram brutalmente castigados e até mortos. O martírio dos antepassados se tornou um exemplo de combate às violações de direitos.

“Os historiadores relatam que ela tem para mais de 300 anos. É um marco histórico para nós, é um local de memória e também de ancestralidade. A gente vem aqui anualmente para reverenciar os mortos, os guerreiros que aqui tombaram e buscar força para nos sustentar”, reforça o Cacique Kauan.

Próximo à Capital e caracterizado por atrativos naturais, como a serra, extensa área verde e açude, o Território Pitaguary se tornou atrativo para pessoas não-indígenas que utilizam da área para lazer, o que é motivo de conflito com a comunidade. Outras ameaças também cercam a área demarcada.

Apesar disso, o povo Pitaguary mantém a organização social e política, além de preservar as tradições. Já para os jovens, cabem a missão de mantê-las para o futuro.”Nós ainda somos um povo muito perseguido e a juventude está atuante é importante porque estamos resistindo. É difícil sermos jugados por usar adereços indígenas, um cocá, somos apedrejados”, explica a militante indígena, Sulamita Pitaguary.

A defesa inegociável pela demarcação, crenças e costumes, está no entendimento de que o território pertence aos Pitaguary enquanto povo originário do Ceará. Em cada tentativa de negar a existência: resistência.

“Nós vamos resistir até os últimos dias de nossas vidas e defender o que é de sagrado para nós, que é a mãe terra, o território, estamos dentro do que é nosso, não estamos dentro de nada de ninguém”, conclui a Cacique Madalena.

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