ESTUDO

Novo tipo de coronavírus é detectado pela primeira vez em morcego no Ceará

A pesquisa revelou a presença de sete tipos distintos de coronavírus (CoVs) em morcegos

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26 de fevereiro de 2025
Paulo Martins

Uma nova descoberta científica no Ceará chama a atenção das autoridades de saúde e da comunidade científica. Um novo tipo de coronavírus, diferente das linhagens já conhecidas, foi identificado pela primeira vez em morcegos do Ceará. O estudo que fez essa descoberta foi publicado em janeiro deste ano no periódico Journal of Medical Virology, especializado em pesquisas sobre vírus que podem afetar humanos.

Novo tipo de coronavírus é detectado pela primeira vez em morcego no Ceará
Foto: Reprodução

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A pesquisa revelou a presença de sete tipos distintos de coronavírus (CoVs) em morcegos, incluindo uma linhagem “intimamente relacionada” ao vírus responsável pela Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV), que causou uma epidemia que matou mais de 900 pessoas desde 2012. O coronavírus encontrado no Ceará compartilha 82,8% de similaridade genômica com a cepa do MERS, um dado relevante que atraiu a atenção dos pesquisadores.

O estudo foi conduzido em parceria com a Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp), sob a liderança do professor Dr. Ricardo Durães-Carvalho e a doutoranda Bruna Stefanie Silvério. Para realizar a análise, os cientistas utilizaram ensaios moleculares, sequenciamento de RNA e análise evolutiva, que permitiram identificar as semelhanças genéticas entre o novo coronavírus e outras linhagens conhecidas.

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Uma das descobertas mais significativas foi a identificação de resíduos na proteína spike do coronavírus encontrado, que podem interagir com o receptor DPP4, o mesmo utilizado pelo MERS-CoV para entrar nas células humanas. Isso aumenta a preocupação, pois sugere a possibilidade de que esse novo vírus tenha a capacidade de interagir com o corpo humano, similar ao MERS.

Novo tipo de coronavírus é detectado pela primeira vez em morcego no Ceará

As conclusões do estudo destacam a vasta diversidade genética de coronavírus e alertam para o surgimento de novas linhagens virais. Segundo os pesquisadores, isso reforça o papel dos morcegos como reservatórios de vírus emergentes, que podem representar um risco à saúde pública. A necessidade de vigilância contínua é enfatizada para monitorar essas ameaças.

Apesar das semelhanças com o MERS-CoV, os cientistas alertam que ainda não é possível afirmar que esse novo coronavírus tenha capacidade de infectar humanos. A análise genômica mostrou que a identidade genômica entre o novo coronavírus e o MERS-CoV é de apenas 71,9%, o que indica que se trata de um vírus distinto, mas relacionado.

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Até o momento, a equipe não conseguiu obter o genoma completo do vírus, o que impede qualquer conclusão definitiva sobre o potencial de transmissão para seres humanos. Para confirmar a hipótese, novos testes laboratoriais, incluindo ensaios de ligação ao receptor e experimentos em culturas celulares, serão realizados. Esses estudos estão planejados para ocorrer ainda este ano, com o apoio da Escola de Saúde Pública da Universidade de Hong Kong, sob a orientação do renomado virologista Professor Leo Poon.

O coronavírus faz parte de uma família viral conhecida desde os anos 1960 e é responsável por diversas infecções respiratórias, que variam de leves a graves. Além de infecções respiratórias moderadas, certos tipos de coronavírus podem causar síndromes respiratórias graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), também conhecida como SARS.

No Ceará, a vigilância de doenças transmitidas por morcegos já faz parte de um protocolo de diagnóstico regular. O processo envolve a coleta de amostras dos animais, que são enviadas para análise laboratorial a fim de monitorar a circulação de agentes virais zoonóticos. Essas investigações são importantes para prevenir a disseminação de doenças e garantir a segurança da saúde pública.

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