Minifábricas são uma solução tecnológica inovadora, vencedora do prêmio Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil (FBB)
Cadeia produtiva apresenta propostas de melhoria para minifábricas de castanha de caju
Pesquisadores, produtores rurais, dirigentes de cooperativas e representantes de instituições de fomento à produção de quatro estados do Nordeste discutiram os fatores de sucesso e insucesso de minifábricas de processamento de castanha de caju, durante Workshop realizado pela Embrapa Agroindústria Tropical, em parceria com o Sindicato das Indústrias da Alimentação e Rações Balanceadas do Ceará (SindAlimentos), nos dias 26 e 27 de março. O debate resultou em um conjunto de proposições para a melhoria da eficiência produtiva das minifábricas, que deverão embasar políticas públicas para fortalecimento dessas unidades de produção e do modelo de organização social ao qual estão vinculadas.

>>>Clique aqui para seguir o canal do GCMAIS no WhatsApp<<<
As sugestões de melhoria se basearam nos resultados de estudo realizado pelo projeto “A importância do cooperativismo para o sucesso de inovações sociais: o caso das minifábricas de caju”, executado com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí e Bahia, apresentados no Workshop. O estudo apontou que 60% das 19 minifábricas estudadas obtiveram sucesso e identificou os fatores que influenciam o desempenho desses empreendimentos.
As minifábricas são uma solução tecnológica inovadora, vencedora do prêmio Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil (FBB). Essas unidades produtivas funcionam organizadas em cooperativas, em um modelo de produção baseado no associativismo, desenvolvido pela Embrapa para atender à necessidade de inserção de pequenos e médios produtores artesanais de castanha de caju em mercados antes restritos a grandes indústrias. Além disso, a tecnologia possibilita agregar valor à produção, proporcionando maior geração de emprego, com impactos econômicos e sociais na vida das famílias e comunidades rurais, entretanto, para serem eficientes e rentáveis requerem conhecimento sobre gestão em cooperativismo.
Minifábricas de castanha de caju
As atividades práticas, realizadas por meio de grupos de trabalho, se basearam na análise de oito fatores de sucesso e insucesso da minifábricas, apontados pela pesquisa (gestão, estratégias, base de cooperados, participação social, fidelidade dos membros, sistema de incentivo e contextos social e político). As discussões nos grupos mostraram que problemas relacionados à organização social, ações gerenciais e operacionais são comuns às minifábricas nos diferentes estados.
Dentre as principais sugestões para o plano de melhoria das minifábricas destacam-se a profissionalização da gestão desses estabelecimentos, por meio da oferta de capacitações sobre como gerir esse negócio e cooperativismo, para dirigentes das minifábricas e produtores cooperados; revisão da política tributária com foco na redução da carga de impostos das cooperativas e oferta de programa de assistência técnica continuada para os produtores de caju; ampliação do cultivo de clones de cajueiro anão em substituição ao cajueiro gigante; e criação de uma política de incentivo às cooperativas.
Segundo o pesquisador Edinilson Cabral, coordenador do estudo, as propostas apresentadas e os resultados da pesquisa serão sistematizados em um documento que será encaminhado a instâncias formuladoras de políticas públicas.
“Vamos avaliar as proposições dos grupos de trabalho, junto com as informações geradas pela pesquisa, para definir as demandas a serem encaminhadas, os órgãos públicos que podem adotar ações concretas para o seu atendimento, as instituições da iniciativa privada que podem contribuir com soluções e o que constitui carência dos membros das cooperativas e pode ser solucionado com estímulo e apoio a esses atores”, explica.
Ainda de acordo o pesquisador, além de gerar informações relevantes do ponto de vista acadêmico e científico, a expectativa é que os resultados da pesquisa tenham efeito prático na atividade produtiva, contribuindo com o aumento da eficiência das minifábricas. Esse anseio também foi expresso pelos participantes do evento durante o debate.
O compartilhamento de experiências de produtores e gestores de cooperativas participantes da pesquisa, com as minifábricas, revelou ganhos e desafios com o uso da tecnologia Para o produtor Alexandro Dantas, morador de Serra do Mel (RN), as minifábricas de castanha de caju têm um papel fundamental na melhoria do processo produtivo e conquista de novos parceiros comerciais. Implantada há oito anos, a minifábrica aumentou em 500% o volume de castanha processada na comunidade.
“Atualmente, trabalhamos vinculados à Coopercaju, cooperativa que ficou desativada por mais de 10 anos e em 2024 iniciamos a retomada das suas atividades. Ainda estamos nos estruturando, mas já contamos com 10 produtores e processamos, em média, 700 a 800 quilos de amêndoas por dia. A maior parte da produção é comercializada com empresas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco”.
>>>Siga o GCMAIS no Google Notícias<<<
Cultura cooperativista
De acordo com o secretário municipal de agricultura de Serra do Mel, o município conta com 15 minifábricas e a tecnologia representa um avanço significativo para a região, considerada um importante polo de produção de castanha de caju de qualidade. A tecnologia contribuiu para valorização da produção no mercado, mas é necessário ampliar o seu alcance. Um grande número de produtores ainda processa a castanha de forma artesanal e acabam vendendo o produto a preços irrisórios. Temos o desafio de sensibilizá-los quanto à importância da cooperação e organização coletiva para garantir melhores condições de trabalho e preços justos para a castanha no mercado”, afirma.
Cabral explica que a maioria das regiões onde as minifábricas estudadas foram instaladas não tinha tradição em cooperativismo. As cooperativas surgiram de uma ação reativa das comunidades ao apoio da Embrapa e instituições parceiras, como a Fundação Banco do Brasil, Sebrae, Ematerce e governo do Ceará, por meio do Projeto São José, e não de uma atitude proativa. A ausência de uma cultura cooperativista é um fator limitante do sucesso das minifábricas, uma vez que dificulta a gestão desses empreendimentos, com reflexos em diferentes aspectos do negócio.
“A partir das informações geradas pela pesquisa e dos resultados do Workshop buscaremos alternativas para incorporar elementos essenciais para melhorar a eficiência das minifábricas e poder contar com casos de sucesso como maioria na adoção dessa tecnologia”, enfatiza Cabral.
>>>Acompanhe o GCMAIS no YouTube<<<

NOTÍCIAS DO GCMAIS NO SEU WHATSAPP!
Últimas notícias de Fortaleza, Ceará e Brasil
Lembre-se: as regras de privacidade dos grupos são definidas pelo Whatsapp.
RELACIONADAS

Produção de leite em Quixeramobim gera receita de até R$ 16 milhões por dia

Amelonado é o principal tipo de cacau produzido no Brasil

Certificado para exportação de ração animal está três vezes mais rápido no Brasil
