Uma das tradições mais curiosas e antigas ainda preservadas em várias cidades brasileiras é a queima do boneco de Judas, especialmente no Sábado de Aleluia. Mas afinal, por que essa figura é confeccionada e destruída em praça pública?
A resposta está na história cristã: Judas Iscariotes foi o apóstolo que traiu Jesus Cristo, entregando-o às autoridades por 30 moedas de prata, o que culminou na crucificação. Por isso, simbolicamente, o boneco representa a traição e, ao ser queimado ou explodido, é como se a comunidade expressasse sua indignação com a injustiça cometida.
Entre a religiosidade e o protesto popular
Com o passar dos séculos, a queima do Judas também ganhou traços de crítica social e política. Em muitas localidades, o boneco é caracterizado como figuras públicas — políticos, empresários ou celebridades — que, segundo a população, “traíram” a confiança do povo.
Feito geralmente de pano, papel ou palha, o boneco costuma ser pendurado em postes ou árvores, com bilhetes irônicos, chamados de “testamentos do Judas”, lidos em tom de sátira antes da destruição. A prática é comum especialmente em cidades do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.
Tradição que resiste ao tempo
Embora não seja uma prática oficial da Igreja Católica, a queima do Judas é tolerada como uma manifestação cultural popular que integra o ciclo das celebrações da Páscoa. Em algumas regiões, a tradição é acompanhada de festas, apresentações teatrais e até competições de criatividade.
Além do aspecto simbólico, o ritual também tem caráter pedagógico e coletivo, servindo como oportunidade para reflexão sobre temas como lealdade, justiça e perdão.




