Após dois dias de julgamento, Paulo Cupertino foi condenado nesta sexta-feira (30) a 98 anos de prisão em regime fechado pelos assassinatos do ator Rafael Miguel e dos pais dele, João e Miriam Miguel. O crime ocorreu em junho de 2019, em frente à casa da família da então namorada do ator, na Zona Sul de São Paulo. A sentença foi proferida pelo juiz Antonio Carlos Pontes de Souza, da 1ª Vara do Júri da Capital, após decisão unânime dos jurados.
Cupertino foi considerado culpado por triplo homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e por utilizar recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. Segundo o Ministério Público, o réu não aceitava o relacionamento entre Rafael e sua filha, Isabela Tibcherani, à época com 18 anos. O ator tinha 22 anos. O promotor Rogério Zagallo afirmou que o empresário disparou 13 tiros contra Rafael e os pais dele. Imagens de câmeras de segurança flagraram o crime e a fuga de Cupertino.
Durante o julgamento, o réu permaneceu em silêncio, inclusive na tréplica, e demonstrou forte abalo emocional ao ser informado de que a própria filha retirou seu sobrenome. A defesa tentou argumentar que não havia provas materiais conclusivas e alegou ausência de testemunhas oculares. As advogadas Juliane Oliveira e Miriam Souza sustentaram que a acusação se baseava em suposições e criticaram a ausência de perícia nas cápsulas recolhidas no local do crime. Também afirmaram que a fuga do acusado — que durou quase três anos, com passagens por dez estados e dois países — ocorreu por medo de linchamento midiático.
Apesar das alegações da defesa, os jurados rejeitaram a tese de negativa de autoria. O advogado da família das vítimas, Fernando Viggiano, destacou que a sentença representa o reconhecimento da robustez das provas apresentadas. “A Justiça entendeu que não havia nulidades processuais e condenou com base nos fatos concretos”, disse.
Os dois corréus no processo foram absolvidos. O julgamento, realizado no Fórum da Barra Funda, teve forte comoção, e a sentença foi celebrada por familiares das vítimas. Paulo Cupertino segue preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória de Guarulhos.




