Após prestar depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (5), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou a jornalistas que transferiu cerca de R$ 2 milhões ao seu filho Eduardo Bolsonaro (PL), deputado federal por São Paulo que está morando em Washington, nos Estados Unidos.
“Botei dinheiro na conta dele, bastante até, dinheiro limpo, legal, até PIX”, declarou o ex-presidente, que foi chamado a depor no inquérito que investiga Eduardo por suposta tentativa de coerção e obstrução de investigações no Brasil.
O deputado é acusado de fazer articulações nos Estados Unidos contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles Alexandre de Moraes. Eduardo se afastou do mandato em fevereiro e alegou risco de sofrer restrições judiciais que o impediriam de sair do país.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) obteve autorização do STF para investigá-lo por tentar influenciar decisões e investigações em curso no Brasil. A suspeita é que Eduardo Bolsonaro buscou sanções do governo americano contra autoridades brasileiras, o que poderia configurar tentativa de interferência externa em assuntos internos do país.
Depoimento à PF antecede interrogatório no STF
O depoimento ocorre dias antes de um novo interrogatório, desta vez no Supremo Tribunal Federal, em processo que investiga sua suposta participação em uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A pena, nesse caso, pode chegar a 40 anos de prisão.
O ministro Alexandre de Moraes é o relator tanto da investigação contra Eduardo Bolsonaro quanto do inquérito sobre os atos antidemocráticos envolvendo o ex-presidente.
Críticas dos EUA ao STF geram reação do governo Lula
As investigações no Brasil ganharam repercussão internacional depois que o senador norte-americano Marco Rubio, aliado da direita brasileira, afirmou em maio que poderia haver sanções contra Alexandre de Moraes por suposta "censura" e "perseguição política".
Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa do magistrado. “Que história é essa de os Estados Unidos quererem criticar alguma coisa da Justiça brasileira?”, questionou Lula, classificando como inaceitável qualquer tentativa de pressionar o Judiciário brasileiro.
Bolsonaro inelegível, mas ainda no jogo político
Mesmo declarado inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro mantém forte influência sobre a base conservadora e reafirma seu interesse em voltar à disputa presidencial em 2026. Caso permaneça fora da corrida eleitoral, Eduardo Bolsonaro é cotado como possível herdeiro político do pai, segundo levantamentos de opinião recentes.




