Em meio a um mundo frequentemente marcado por fragmentação e tensão, o Vaticano tornou-se, nestes dias, um farol de esperança e comunhão. O encontro internacional das Associações Internacionais e Novas Comunidades, realizado em Roma, reuniu expressões pulsantes da Igreja Católica dos cinco continentes. E no coração desse diálogo, ecoou com clareza e profundidade a palavra do Papa Leão XIV, tecendo um discurso que se alicerça em três pilares fundamentais: Graça, Missão e Unidade.
A Graça, dom primordial que brota do encontro com Cristo, foi apresentada pelo Pontífice como o alicerce da existência dessas comunidades.
"Do encontro com o Senhor, da vida nova que inundou o vosso coração, nasceu o desejo de O dar a conhecer aos outros", recordou o Papa, reconhecendo a fonte espiritual que anima esses grupos. Não se trata de mero esforço humano, mas de uma resposta ao chamado divino, uma "graça que nos inunda", como ecoou na citação de São Paulino de Nola.
Leão XIV enfatizou que esta experiência contínua da comunhão espiritual é obra do Espírito Santo, unindo os fiéis a Cristo e, n’Ele, uns aos outros.
Dessa Graça, flui naturalmente a Missão. Com palavras que refletiam sua própria história pastoral, o Papa exaltou o "zelo missionário" dessas comunidades. Reconheceu o sacrifício, o entusiasmo e a energia dedicados à evangelização "nos lugares mais distantes, nos ambientes mais difíceis", inclusive suportando fracassos.
"Os movimentos desempenham ainda hoje um papel fundamental na evangelização", afirmou, destacando o "património" de pessoas "generosas, bem formadas, com experiência ‘no terreno’". O desafio lançado é claro: colocar esses talentos a serviço do Evangelho, tanto nas periferias existenciais quanto nas estruturas eclesiais tradicionais, alcançando os que "estão longe e, por vezes sem o saber, esperam a Palavra de Vida".
Mas Graça e Missão encontram seu sentido pleno na Unidade. Aqui, o tom do Papa foi particularmente contundente e acolhedor. Ele exortou as comunidades a serem "fermento de unidade", expandindo a comunhão vivida internamente para toda a Igreja e o mundo.
Essa unidade, fundamentada em Cristo – "Ele atrai-nos para Si, e por isso une-nos também entre nós" – manifesta-se na leal comunhão com os Pastores, na proximidade fraterna com outras realidades eclesiais e no encontro com todas as pessoas. Num mundo "tão dilacerado pela discórdia e pela violência", os carismas desses grupos são chamados a ser antídoto, promovendo "comunhão e fraternidade". [caption id="attachment_544452" align="alignnone" width="1024"]Delegação da Comunidade Católica Shalom participa do encontro. Foto: Reprodução.[/caption]
Dentre as numerosas delegações presentes, esteve uma representação da Comunidade Católica Shalom, nascida em Fortaleza e hoje com presença em mais de 30 países. Liderados por Moysés Azevedo, fundador da comunidade, e acompanhados pelo Pe. Silvio Scopel, Assistente Internacional da instituição e por Angélica Cunha, Formadora Geral, a presença de Shalom exemplifica bem esse tripé: uma comunidade nascida da Graça, impulsionada por uma intensa Missão evangelizadora e carismática, e comprometida em construir Unidade na diversidade do corpo eclesial.
[caption id="attachment_544453" align="alignnone" width="1024"]
Moysés Azevedo, Fundador da Comunidade Católica Shalom. Foto: Reprodução.[/caption]
Na conclusão, Leão XIV, expressando alegria por esse "primeiro encontro", centrou o essencial: "Mantende sempre o Senhor Jesus no centro!". Os carismas, recordou, servem para o encontro com Cristo, o crescimento humano e espiritual e a edificação da Igreja. E aqui ecoou uma mensagem profunda de despojamento e serviço, inspirada em Cristo: "quem persegue um objetivo apostólico... é chamado a enriquecer os outros despojando-se de si mesmo. E isso é fonte de liberdade e de grande alegria".


Delegação da Comunidade Católica Shalom participa do encontro. Foto: Reprodução.[/caption]

