O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidirá nos próximos 14 dias se o país entrará diretamente no conflito armado entre Israel e Irã. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (19) pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, em meio à crescente tensão no Oriente Médio, intensificada por sucessivos ataques entre os dois países desde a última sexta-feira (14).
“Com base no fato de que há uma chance substancial de negociações que podem ou não ocorrer com o Irã em um futuro próximo, tomarei minha decisão de ir ou não nas próximas duas semanas”, declarou Trump, por meio da assessoria presidencial. Segundo Leavitt, o líder americano ainda aposta em uma solução diplomática, mas deixou claro que uma das prioridades de sua gestão é impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. Qualquer tentativa de acordo, ressaltou, exigirá a suspensão imediata do enriquecimento de urânio por parte de Teerã.
Apesar dos sinais de diálogo, fontes da imprensa norte-americana afirmam que Trump aprovou, de forma preliminar, planos de ataque ao Irã na quarta-feira (18), o que não foi oficialmente confirmado. No mesmo dia, ele se reuniu com o Conselho de Segurança Nacional para discutir opções militares. Em resposta, o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, alertou que qualquer ofensiva norte-americana terá "consequências sérias e irreparáveis".
Movimentação militar indica preparação para conflito
Enquanto as declarações diplomáticas são mantidas, os Estados Unidos reforçaram sua presença no Oriente Médio com o envio de caças, aviões estratégicos e navios de guerra, incluindo embarcações de desminagem, deslocadas da Europa para o Golfo Pérsico. A movimentação militar é vista por especialistas como um claro sinal de que o país se prepara para um eventual confronto.
“Pela escala dos deslocamentos e pelo tipo de armamento, são todos sinais de uma preparação para a guerra”, afirma Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo IUPERJ. Ele observa que o envio de navios de desminagem aponta para a possibilidade de um conflito naval iminente. “Mesmo que se trate de uma tentativa de pressão diplomática, é um teatro bélico muito caro e expressivo”, complementa.
Essa postura também se alinha à tradicional aliança entre Estados Unidos e Israel. Em fevereiro, Trump retomou a política de "pressão máxima" sobre o Irã, e já declarou anteriormente que poderia apoiar uma ação militar israelense contra o programa nuclear iraniano, caso falhem as negociações.
Capacidade bélica exclusiva dos EUA contra o programa nuclear iraniano
Especialistas apontam que apenas os Estados Unidos têm hoje capacidade técnica e armamentista de neutralizar o programa nuclear do Irã, que está instalado em bunkers subterrâneos de alta proteção. Segundo Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, o envolvimento americano se justifica pelo risco à segurança global e pelo papel estratégico do país.
“Por mais que o secretário de Defesa não queira se envolver em mais uma guerra no Oriente Médio, não tem como não ajudar o governo israelense a eliminar esse programa nuclear que há muito tempo representa uma ameaça aos Estados Unidos”, analisa Rudzit. Para ele, a postura americana tende a valorizar ainda mais seu poderio militar no cenário internacional.
A doutora em Direito Internacional, Priscila Caneparo, reforça essa avaliação. “Os Estados Unidos são os únicos atores competentes no cenário internacional para neutralizar o programa nuclear iraniano, já que possuem artilharia para tanto, diferentemente de Israel”, afirma.
Com a tensão em alta e movimentações militares cada vez mais intensas, o mundo aguarda com apreensão a decisão de Trump — que poderá selar a entrada oficial dos EUA em mais um conflito no Oriente Médio, com impactos geopolíticos e econômicos globais.




