O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, se encontrou nesta sexta-feira (20), em Genebra, com os chanceleres do Reino Unido, França e Alemanha e com a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, em uma tentativa de buscar uma solução diplomática para a escalada do conflito entre Irã e Israel.
O encontro ocorre após o colapso das negociações entre Irã e Estados Unidos, motivado pelo início da ofensiva militar israelense contra o Irã, iniciada no último dia 12 de junho. A reunião foi sugerida pelo próprio Irã e representa o maior envolvimento europeu desde o início dos ataques israelenses.
Durante o encontro, os representantes europeus reforçaram a importância de retomar o diálogo sobre o programa nuclear iraniano, ao mesmo tempo em que expressaram preocupações com o desenvolvimento dos mísseis balísticos do Irã, seu apoio à Rússia no conflito na Ucrânia e a detenção de cidadãos europeus. Apesar das tensões, os europeus defendem que a via diplomática é o caminho mais seguro para evitar uma escalada militar na região, que já é considerada um "barril de pólvora".
O chanceler iraniano reafirmou o compromisso de Teerã com a diplomacia, mas condicionou o avanço das negociações ao fim da agressão israelense. "Enquanto a agressão não parar, não haverá espaço para a diplomacia e o diálogo", afirmou Araqchi.
Irã se reúne com países europeus para buscar solução diplomática ao conflito com Israel
A reunião também foi marcada pela pressão dos Estados Unidos, que aguardam o resultado do encontro para definir os próximos passos em relação ao conflito. O presidente americano, Donald Trump, indicou que tomará uma decisão sobre o envolvimento direto dos EUA nas próximas duas semanas.
Além do conflito em si, o programa nuclear iraniano voltou a ser um tema central das discussões, com a possibilidade de encaminhamento do caso ao Conselho de Segurança da ONU caso não haja avanços nas negociações. Os europeus alertam que, mesmo que a guerra cesse, o conhecimento técnico adquirido pelo Irã dificulta a eliminação completa do programa nuclear, o que torna o diálogo contínuo fundamental.
Escalada
O conflito entre Israel e Irã entrou em nova fase de escalada nesta quinta-feira (19), com uma troca de ataques a pontos estratégicos – Israel direcionou ataques a uma instalação nuclear iraniana, enquanto o Irã disparou mísseis contra alvos em Israel, incluindo um hospital em Tel Aviv.
Desde o início da ofensiva israelense, iniciada no dia 13 de junho, as Forças de Defesa de Israel (FDI) realizaram ataques a dezenas de alvos no Irã, principalmente em Teerã e em instalações estratégicas, como a usina nuclear subterrânea de Natanz, onde foram destruídos equipamentos apontados como essenciais para o enriquecimento de urânio. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que os ataques atingiram diretamente a usina subterrânea, causando danos significativos às centrífugas usadas no programa nuclear iraniano.
Em resposta, o Irã lançou uma série de mísseis balísticos e drones contra diversas cidades israelenses, com ênfase em Tel Aviv, Bat Yam e Haifa. O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, declarou que "a nação iraniana não permitirá que o sangue de seus valiosos mártires fique sem vingança" e acusou Israel de ter cometido "um grande erro" ao iniciar o conflito.
"Declaração de guerra"
O governo do Irã classificou como uma "declaração de guerra" os bombardeios realizados por Israel no último dia 12. Os ataques, que atingiram alvos estratégicos como a usina de enriquecimento de urânio em Natanz e um aeroporto militar em Tabriz, provocaram a morte de importantes líderes militares iranianos, incluindo o chefe da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, e o chefe do Estado-Maior, Mohamed Bagheri, além de seis cientistas nucleares.
Segundo o governo israelense, a ofensiva foi uma ação "preventiva" diante do avanço do programa nuclear iraniano, que, segundo autoridades de Tel Aviv, já teria acumulado urânio suficiente para a produção de várias bombas atômicas em poucos dias. "Armas de destruição em massa nas mãos do regime iraniano representam uma ameaça existencial ao Estado de Israel e uma ameaça significativa ao mundo em geral. O Estado de Israel não permitirá que um regime cujo objetivo é destruir o Estado de Israel obtenha armas de destruição em massa", afirmou o Exército israelense em comunicado.
A resposta iraniana veio imediatamente, com o lançamento de mais de 100 drones em direção ao território israelense. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, prometeu uma "punição severa" e declarou que o país "preparou um destino amargo" para Israel. A chancelaria iraniana pediu uma reação da comunidade internacional, afirmando que os ataques "expõem a segurança global a uma ameaça sem precedentes".




