O governo de Israel anunciou que lançou um novo ataque contra alvos no Irã, após acusar Teerã de violar o cessar-fogo bilateral anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O cessar-fogo, que entraria em vigor na madrugada desta terça-feira (24), foi anunciado por Trump como "total e completo", mas Israel afirmou ter detectado novos ataques com mísseis iranianos contra seu território.
Segundo o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, "as Forças de Defesa de Israel estão atualmente atacando com força sem precedentes alvos do regime e entidades de opressão governamental no coração de Teerã", incluindo a prisão de Evin, onde estão detidos presos políticos, a sede da milícia Basij, centros de comando da Guarda Revolucionária e a instalação nuclear de Fordow. O ataque israelense deixou mortos e feridos, conforme relatado pelo Irã, que também confirmou a morte de um cientista envolvido com energia nuclear.
O Irã negou ter disparado os novos mísseis, mas reafirmou sua posição de manter "o dedo no gatilho". O Exército israelense, por sua vez, afirmou estar interceptando os projéteis lançados contra seu território, sem relatos de danos ou vítimas até o momento.
O conflito teve início em 13 de junho, quando Israel lançou uma "operação preventiva" para conter o avanço do programa nuclear iraniano, que o governo de Benjamin Netanyahu considera uma ameaça à existência do Estado israelense. Desde então, dezenas de pessoas morreram e milhares ficaram feridas, a maioria civis, segundo autoridades dos dois países.
O cessar-fogo anunciado por Trump previa que o Irã interromperia todas as operações inicialmente, e Israel faria o mesmo 12 horas depois. No entanto, a falta de um acordo formal por parte do Irã e os ataques detectados levaram Israel a responder com novos bombardeios.
Escalada do conflito
O governo do Irã classificou como uma "declaração de guerra" os bombardeios realizados por Israel no último dia 12. Os ataques, que atingiram alvos estratégicos como a usina de enriquecimento de urânio em Natanz e um aeroporto militar em Tabriz, provocaram a morte de importantes líderes militares iranianos, incluindo o chefe da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, e o chefe do Estado-Maior, Mohamed Bagheri, além de seis cientistas nucleares.
Segundo o governo israelense, a ofensiva foi uma ação "preventiva" diante do avanço do programa nuclear iraniano, que, segundo autoridades de Tel Aviv, já teria acumulado urânio suficiente para a produção de várias bombas atômicas em poucos dias. "Armas de destruição em massa nas mãos do regime iraniano representam uma ameaça existencial ao Estado de Israel e uma ameaça significativa ao mundo em geral. O Estado de Israel não permitirá que um regime cujo objetivo é destruir o Estado de Israel obtenha armas de destruição em massa", afirmou o Exército israelense em comunicado.
A resposta iraniana veio imediatamente, com o lançamento de mais de 100 drones em direção ao território israelense. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, prometeu uma "punição severa" e declarou que o país "preparou um destino amargo" para Israel. A chancelaria iraniana pediu uma reação da comunidade internacional, afirmando que os ataques "expõem a segurança global a uma ameaça sem precedentes".




