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Especialistas recomendam retorno do horário de verão para aliviar pressão no sistema elétrico

ONS e CMSE recomendam mudança como forma de aliviar a demanda no fim da tarde e garantir estabilidade no fornecimento de energia

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Especialistas recomendam retorno do horário de verão para aliviar pressão no sistema elétrico
Foto: GCMais

Especialistas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sugeriram a reimplementação do horário de verão como uma das alternativas para reduzir a pressão sobre o Sistema Interligado Nacional (SIN) nos meses mais quentes do ano. A recomendação formal foi feita ao presidente da República tanto pelo ONS quanto pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), como forma de evitar sobrecargas nas redes de transmissão, especialmente no fim da tarde — horário de pico no consumo de energia. O presidente afirmou que tomará uma decisão em até dez dias após receber as recomendações técnicas. Caso seja aprovada, a medida poderá voltar a valer a partir de outubro de 2025, com os relógios sendo adiantados em uma hora entre outubro e fevereiro.

Essa proposta surge em um momento em que o consumo de energia elétrica no Brasil segue em constante crescimento. De acordo com estimativas do ONS, da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o país deve registrar um aumento de 14,1% no consumo até 2029 — o que equivale a uma elevação média anual entre 3,3% e 3,4%. Esse crescimento pode elevar a demanda a cerca de 94,5 gigawatts médios no final da década, pressionando ainda mais a infraestrutura elétrica nacional.

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Outro fator que acende o alerta é a composição da matriz elétrica brasileira, fortemente dependente de fontes renováveis como solar e eólica. Apesar de sustentáveis, essas fontes são intermitentes, o que dificulta a estabilidade da geração de energia nos horários críticos do dia, principalmente no fim da tarde, quando a produção solar cai e o consumo aumenta.

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O horário de verão, criado em 1931, foi adotado no Brasil por décadas, com mudanças ao longo do tempo. A regulamentação mais recente ocorreu em 2008, durante o governo Lula, por meio do Decreto nº 6.558, que estabelecia a mudança de horário a partir do terceiro domingo de outubro até o terceiro domingo de fevereiro. A medida, no entanto, foi revogada em 2019 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, sob a justificativa de que mais de 70% da população era contrária à mudança, além de alegações de que o perfil de consumo já não justificava sua eficácia.

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Apesar da mudança nos padrões de consumo — como o uso constante de ar-condicionado mesmo durante o dia — especialistas afirmam que o horário de verão pode, sim, colaborar para o alívio da rede elétrica nos horários de maior demanda. Além do retorno ao horário especial, o ONS também propõe medidas adicionais, como leilões anuais de contratação de potência, investimentos em tecnologias e expansão de fontes com maior capacidade de ajuste rápido à demanda.

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