O prefeito de Maranguape, Átila Câmara, se manifestou nesta sexta-feira (25) após a divulgação de um levantamento que classificou o município como o mais violento do Brasil em 2024. Em pronunciamento nas redes sociais, o gestor contestou a pesquisa e afirmou que os dados apresentados não refletem a realidade da cidade.
De acordo com o prefeito, a pesquisa considera a proporção de crimes violentos por 100 mil habitantes em municípios com mais de 100 mil moradores, critério que, segundo ele, exclui 94% das cidades brasileiras. “Maranguape não foi sequer a cidade mais violenta do Ceará. Ficamos em quinto lugar no ranking estadual”, declarou.
Átila Câmara reconheceu que os índices de violência preocupam, mas destacou que houve uma redução de cerca de 30% nos crimes violentos no primeiro semestre de 2024, em comparação com o mesmo período do ano passado, com base em dados oficiais. O gestor atribuiu parte da escalada da violência à atuação de facções criminosas na Região Metropolitana de Fortaleza.
Ele afirmou ainda que a gestão municipal continuará atuando na prevenção, em parceria com o Governo do Estado, com foco na promoção da paz e no desenvolvimento local.
Entenda a pesquisa
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (24) pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, uma publicação elaborada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com base em registros oficiais dos estados e da União. O estudo revela que Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, lidera o ranking das cidades mais violentas do país, com uma taxa de 79,9 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes.
Além de Maranguape, outras cidades cearenses como Caucaia, Maracanaú, Fortaleza e Sobral também figuram entre as mais afetadas pela violência letal. A principal causa apontada para o aumento dos homicídios nesses municípios é o avanço das facções criminosas, impulsionado por disputas territoriais entre grupos rivais.
O Anuário também mostra que, em 2025, todas as dez cidades mais violentas do Brasil estão no Nordeste, sendo cinco na Bahia, três no Ceará e duas em Pernambuco. No recorte por estados, o Ceará aparece entre os que apresentam as maiores taxas de homicídios do país, com 37,5 mortes por 100 mil habitantes, número bem acima da média nacional, que foi de 20,8 em 2024. Especialistas atribuem esse cenário à atuação de facções, à alta vulnerabilidade social e à falta de políticas públicas eficazes de prevenção, sobretudo nas áreas periféricas.
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