A Argentina investiga um escândalo de corrupção que envolve Karina Milei, irmã do presidente Javier Milei, e o advogado dele, Eduardo “Lule” Menem. A acusação ganhou força após a divulgação de áudios vazados nos quais são mencionados supostos pagamentos de propina em contratos relacionados à distribuição de medicamentos para pessoas com deficiência (PCDs).
Em um dos áudios, uma voz que se assemelha à de Diego Spagnuolo, chefe da Agência Nacional para Pessoas com Deficiência, denuncia irregularidades e acusa Karina Milei de receber valores ilícitos, afirmando inclusive que teria conversado com o presidente sobre o caso, mas "eles não consertaram nada".
As investigações avançaram após uma série de operações que incluíram buscas em residências, entre elas a de Spagnuolo, com apreensão de celulares e equipamentos relacionados ao suposto esquema. Spagnuolo foi afastado do cargo pelo governo, em medida preventiva. Até o momento, o governo argentino não confirmou a autenticidade dos áudios nem comentou publicamente as denúncias.
Após áudios vazados, Argentina investiga escândalo de corrupção envolvendo irmã e advogado de Milei
O episódio ocorre em momento delicado para Javier Milei, que enfrenta desafios no Congresso e se prepara para as eleições de meio de mandato em outubro, consideradas um referendo à sua agenda de austeridade e reformas econômicas. O escândalo ameaça prejudicar a imagem do presidente, que se elegeu com discurso linha dura contra "a corrupção" e a "velha política".
O impacto negativo da crise política chegou a influenciar a bolsa de valores e a cotação do peso argentino. Na segunda-feira (25), o índice de referência do mercado acionário do país caiu 4%, após recuo de 3,8% na semana anterior, enquanto o peso desvalorizou quase 3% frente ao dólar americano.
A irmã do presidente, Karina Milei, ocupa o cargo de secretária-geral da Presidência e, segundo a mídia local, teria um papel central na articulação política do governo.
Até o momento, Javier Milei, não comentou publicamente sobre o escândalo. O governo tampouco confirmou a autenticidade dos áudios vazados. Em discurso sobre a economia argentina proferido nesta segunda-feira (25), o presidente ignorou as denúncias.




