Francisco Aurélio Rodrigues de Lima, ex-colaborador do Instituto Doutor José Frota (IJF), será julgado pelo Tribunal do Júri acusado de assassinar e decapitar o funcionário Francisco Mizael Souza da Silva dentro da unidade hospitalar. O crime ocorreu no dia 22 de abril de 2024.
De acordo com o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), Aurélio foi pronunciado para ser submetido ao Conselho de Sentença da 2ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza. O órgão informou que o processo tramita em segredo de justiça e, por isso, mais detalhes não podem ser divulgados.
Dois dias após o crime, a prisão em flagrante de Aurélio foi convertida em preventiva. Conforme os autos, ele havia trabalhado como copeiro no hospital e, no dia do crime, usou uma arma de fogo para matar a vítima e, em seguida, decapitá-la. A motivação, segundo as investigações, teria sido ciúme, já que a namorada do acusado também trabalhava no IJF com a vítima.
Relembre o caso
Francisco Aurélio, ex-funcionário do hospital, conseguiu entrar armado na unidade por ainda ter seu rosto cadastrado no sistema de reconhecimento facial do IJF. No refeitório, ele atirou contra Mizael e, em seguida, arrancou a cabeça dele com uma faca.
Além da morte de Mizael, outro funcionário ficou ferido durante a ação criminosa. Aurélio conseguiu fugir pela catraca do hospital, mas foi capturado no mesmo dia no município de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
Na época, ele trabalhava como motorista de aplicativo e auxiliar de cozinha, após ter deixado o hospital mais de um ano antes. A arma de fogo utilizada no crime foi encontrada em uma mochila abandonada no local. O acusado possui antecedentes por desacato e resistência.
Motivação
As investigações apontam que o crime foi motivado por ciúmes, já que a namorada de Aurélio também trabalhava no hospital. Familiares da vítima afirmaram que Mizael era “tranquilo, calmo e dedicado à família”, mantendo apenas uma relação profissional com a colega de trabalho.
Segundo relatos, Aurélio apresentava crises de ciúme constantes e chegou a ameaçar a namorada dias antes do crime, afirmando que iria “entrar na cozinha e fazer um estrago”. A companheira descreveu o relacionamento como tóxico e disse que o acusado exigia que ela deixasse o emprego. Em depoimento, Aurélio alegou ainda que recebia provocações de ex-colegas, que o incitavam a agir contra a vítima.
Prisão
Aurélio foi preso em flagrante no dia do crime. Em 25 de abril, dois dias depois, a Justiça converteu a prisão em preventiva, durante audiência de custódia na 17ª Vara Criminal. Um dos fatores considerados foi a existência de outros registros contra ele na Justiça, incluindo um caso de desacato e outro, já arquivado, de medidas protetivas.
A defesa do acusado chegou a alegar insanidade mental, mas o pedido foi rejeitado pela Justiça no dia 12 de junho de 2024. Segundo a decisão, os argumentos apresentados não foram suficientes para gerar dúvidas sobre a capacidade mental de Aurélio.
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