Em maio de 2020, o cineasta e educador cearense Bruno Albuquerque foi surpreendido por uma acusação pública de plágio feita pelo crítico de cinema Pablo Vilaça. Em postagens no Twitter, o crítico afirmou que o curso online criado por Bruno seria uma cópia de suas próprias formações. As acusações, repercutidas em grande escala, resultaram em linchamento virtual e marcaram a vida pessoal e profissional do jovem, então com pouco mais de 5 mil seguidores.
“Foi o período mais difícil da minha vida. Eu me senti acusado por todos os lados, como se minha carreira tivesse acabado antes mesmo de começar”, relembra Bruno. Na época, ele viu o número de alunos despencar pela metade em poucos dias, além de enfrentar problemas emocionais graves, chegando a precisar de acompanhamento psicológico. “Achei que nunca mais teria credibilidade. Em nosso meio, ser chamado de plagiador é quase uma sentença de morte”, completa.
Sem condições de responder na mesma proporção ao peso das redes sociais e matérias veiculadas de Pablo Vilaça, Bruno decidiu acionar a Justiça. O processo se arrastou por cinco anos, mas, no fim, resultou em sentença favorável ao educador cearense. A decisão judicial destacou que as acusações foram feitas de forma “ofensiva e depreciativa”, sem provas concretas de plágio.
Para o advogado de Bruno, Miquéias Martins, o caso deixa lições importantes: “Ficou demonstrado de forma inequívoca que não houve plágio. A semelhança de conteúdos é natural em cursos da mesma área e não constitui violação de direitos autorais.”
Ele também alerta para os riscos do julgamento precipitado nas redes. “O que aconteceu foi um linchamento virtual, onde Bruno foi condenado publicamente sem chance de defesa. A internet não é terra sem lei, e acusações desse tipo podem gerar graves prejuízos à honra de qualquer pessoa.”
Entenda o caso
Pablo Villaça acusou o ex-aluno Bruno Albuquerque, de plagiar o curso "A Arte do Filme: Forma e Estilo Cinematográficos" que ele ministrou. Bruno, produtor audiovisual e fundador do portal Sociedade Brasileira de Cinema (SB Cinema), oferecia um curso chamado "Decifrando o Cinema", cuja ementa e conteúdo teriam sido copiados do curso de Pablo, incluindo referências, cenas e interpretações específicas.
Pablo Villaça, que ministra cursos há quase 26 anos, foi alertado por alunos sobre as semelhanças entre os cursos e confirmou que Bruno havia sido seu aluno em 2013. Dezenas de relatos de ex-alunos de Bruno reforçaram as acusações de plágio. Bruno negou a acusação, argumentou falta de provas, negou plágio e acusou Pablo de calúnia e difamação. Ele ainda afirmou que seu material foi avaliado por advogados e que não há plágio, considerando as similaridades como coincidências naturais na estrutura dos cursos.
Nas conversas públicas, Bruno admitiu semelhanças na estrutura dos conteúdos, mas negou o plágio e se ofereceu para modificar partes do curso para evitar conflitos. Pablo, por sua vez, acredita que houve cópia até de interpretações pessoais e exemplos usados no curso.
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