A suinocultura no Ceará vive um momento de expansão. O setor, tradicional no estado, tem alcançado novos patamares graças ao investimento em tecnologia, segurança sanitária e inovação nos cortes de carne. A transformação é visível em granjas como a de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, que acumula 40 anos de experiência e, nos últimos 10 anos, conseguiu dobrar sua produção.
“O setor evoluiu bastante. A carne suína vem ganhando espaço não só nos lares, mas também nos restaurantes. Hoje temos cortes especiais para o consumo do dia a dia e também para atender à alta gastronomia”, explica o produtor Felipe Figueiredo. Ele destaca que o perfil do consumidor mudou e que a produção precisa acompanhar essa tendência, oferecendo versatilidade e qualidade.
A produção cearense está concentrada principalmente nas regiões da Ibiapaba, Vale do Jaguaribe, Sertão do Canindé, Inhamuns e Centro-Sul. Segundo João Ricardo Rabelo, vice-presidente da Associação de Suinocultores, o foco tem sido manter um padrão de qualidade elevado, com atenção especial à genética dos animais e à segurança sanitária. “Trabalhamos com as melhores raças e um frigorífico que permite cortes inovadores de carne de primeira qualidade. O Serviço de Inspeção Estadual da Adagri garante essa segurança para o consumidor”, afirma.
Com um ciclo de produção ecológico e rigoroso, a carne suína produzida no Ceará conquistou mais confiança no mercado. Esse avanço também reflete no aumento do consumo fora de casa. “Hoje é comum encontrar costelinha e filé suíno em bares e restaurantes, o que antes era raro. Isso é resultado direto do trabalho de frigoríficos cearenses que têm apostado na qualidade e variedade dos cortes”, completa Rabelo.
Os números confirmam o bom momento do setor: no primeiro semestre de 2025, o abate de porcos no estado cresceu 29% em comparação com o mesmo período do ano passado. Essa expansão também impacta positivamente a cadeia gastronômica, como mostra o empresário Marcelo Pimentel, dono de um restaurante especializado em carnes nobres. “Desde a fundação, trouxemos cortes diferentes do que o brasileiro estava acostumado. Cortes do dianteiro, por exemplo, que já eram conhecidos por americanos e argentinos, agora têm espaço no nosso cardápio”, destaca.
Para o chef Diego Gastón, conhecer a anatomia dos cortes é essencial para garantir uma boa experiência ao cliente. “Cada corte especial exige um preparo diferente. Saber onde está a gordura e como ela se comporta no cozimento faz toda a diferença. O resultado é um prato suculento, macio e delicioso”, explica.
A aprovação vem do cliente na ponta da cadeia. “É um corte de carne muito macia e saborosa. Muito bom, muito saboroso, aprovadíssimo”, elogia a consumidora Fernanda de Castro, que visitava o restaurante em Fortaleza.
O cenário é promissor. A combinação de tradição, inovação e tecnologia tem reposicionado a carne suína cearense como um produto competitivo e sofisticado. Do campo à mesa, a suinocultura no estado mostra que, com investimento e cuidado, é possível transformar a produção e conquistar novos mercados.
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