A deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) e os demais brasileiros detidos por Israel devem receber a primeira visita consular nesta sexta-feira (3), conforme confirmou o Ministério das Relações Exteriores.
Na manhã desta quinta-feira (2), uma comitiva de parlamentares do Congresso Nacional se reuniu com o ministro Mauro Vieira, no Itamaraty, para tratar da situação dos 15 brasileiros que integravam uma missão humanitária com alimentos e medicamentos para a população palestina em Gaza. A embarcação da delegação foi interceptada pela Marinha de Israel em águas internacionais, caracterizando uma ação considerada ilegal pelo governo brasileiro.
Segundo o Itamaraty, a visita consular terá como objetivo verificar a integridade física dos detidos, oferecer assistência e encaminhar medidas de proteção. A deputada Luizianne, que estava na missão como observadora internacional, permanece incomunicável desde a abordagem militar, aumentando a preocupação sobre as condições da delegação. Parlamentares relataram que alguns integrantes teriam passado por interrogatórios conduzidos sem a presença de advogados ou representantes consulares.
O último contato com Luizianne ocorreu às 18h30 do dia 1º de outubro, no horário de Brasília. Antes da captura, no dia 17 de setembro, a deputada enviou um ofício ao Itamaraty solicitando apoio diplomático e medidas de proteção para os 15 integrantes da missão. Em 26 de setembro, 37 deputados federais assinaram documento pedindo ao governo federal providências em favor da delegação.
Durante a reunião, os parlamentares também solicitaram esforços adicionais para localizar dois brasileiros que permanecem desaparecidos, sem confirmação oficial de detenção. O Itamaraty informou que seguirá acompanhando a situação e atuando para garantir a segurança, integridade e retorno da deputada Luizianne Lins e dos demais brasileiros em proteção.
Repercussão no Ceará
A captura da deputada cearense provocou reações imediatas de parlamentares. O deputado estadual Júlio César Filho (PT) destacou o caráter humanitário da missão e expressou solidariedade: “Expresso toda a minha solidariedade à deputada Luizianne e aos voluntários(as) neste momento difícil. Que a esperança e a luta pela paz sejam sempre o nosso caminho”, afirmou.
O deputado federal José Guimarães (PT) informou que acompanha o caso de perto. “O governador Elmano de Freitas acionou o Governo Federal que também acompanha o caso. Toda força e solidariedade a essa corajosa companheira”, disse nas redes sociais.
A deputada estadual Larissa Gaspar (PT) classificou a operação como sequestro, afirmando que “a embarcação onde se encontrava nossa companheira deputada federal Luizianne Lins foi sequestrada pelo Estado de Israel!”. Ela também fez um apelo ao governo brasileiro para garantir o retorno seguro dos ativistas.
O deputado federal Domingos Neto (PSD), coordenador da bancada cearense, informou que acionou o Itamaraty e mantém contato com autoridades. “Estamos trabalhando para que o mais breve possível possamos ter noção do paradeiro da Dra. Luizianne Lins. Estou pessoalmente dedicado a garantir a segurança da deputada”, afirmou.
Contexto internacional
De acordo com os organizadores, 17 brasileiros integravam a flotilha, entre eles médicos, ativistas e representantes de movimentos sociais. Até a noite de quarta-feira, pelo menos 178 ativistas haviam sido detidos, incluindo a ativista sueca Greta Thunberg.
A ação gerou reações internacionais. A Anistia Internacional Brasil classificou a interceptação como ilegal, afirmando que “nenhuma regra do direito internacional autoriza ataques a embarcações em livre navegação em águas internacionais. A missão da flotilha é pacífica, humanitária e legal”. A entidade cobrou garantias de segurança aos voluntários.
No Brasil, movimentos sociais e familiares dos detidos organizaram uma vigília em São Paulo, no espaço cultural Al Janiah, criado por refugiados palestinos. O ato cobrou o retorno seguro dos brasileiros e pediu medidas mais duras contra Israel, incluindo pressão diplomática e revisão de relações comerciais.
Enquanto isso, o governo brasileiro mantém negociações diplomáticas para assegurar a integridade física dos ativistas. A expectativa é que a deportação anunciada por Israel seja concretizada nos próximos dias, garantindo a libertação dos brasileiros capturados, entre eles a deputada Luizianne Lins.




