O Ceará recebeu 64 unidades do fomepizol, medicamento considerado raro e utilizado como antídoto em casos de intoxicação por metanol, substância associada ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. O envio faz parte de um lote com 2,5 mil ampolas distribuídas pelo Ministério da Saúde a todos os estados e ao Distrito Federal. A entrega ocorreu na última quinta-feira (9), e 1.000 unidades permaneceram no estoque estratégico nacional do SUS.
A aquisição do antídoto é inédita no Brasil e foi realizada por meio de uma subsidiária de uma empresa japonesa, apenas oito dias após o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acionar o Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O medicamento é considerado de difícil acesso devido à baixa produção mundial.
De acordo com a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Mariângela Simão, o governo federal já disponibilizava o etanol farmacêutico como tratamento padrão em todo o país. “O que estamos oferecendo agora é uma segunda opção, o fomepizol, adquirido via Opas com apoio da Anvisa. São 2.500 ampolas que já estão sendo entregues. O objetivo é que todos os estados do país tenham à disposição tanto o etanol quanto o fomepizol”, afirmou.
As unidades federativas poderão solicitar novas remessas conforme a necessidade e os registros de casos. A quantidade enviada a cada estado foi definida com base na população do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), garantindo uma distribuição equitativa e eficiente para atender emergências toxicológicas.
Eficácia e importância do tratamento
O fomepizol é considerado um tratamento de alta eficácia e segurança contra intoxicações por metanol. O medicamento atua impedindo que o metanol se transforme em ácido fórmico, substância tóxica responsável por causar acidose metabólica, quadro potencialmente fatal.
Sua produção é limitada e seu custo elevado, o que restringe a disponibilidade mundial. Para garantir o fornecimento ao Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde entrou em contato com laboratórios internacionais e contou com o apoio da Anvisa, que publicou uma chamada pública para identificar potenciais fornecedores.
Além disso, o governo brasileiro recebeu a doação de 3,8 mil ampolas de etanol farmacêutico da empresa Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos, que se somarão às 4,3 mil unidades já entregues aos hospitais universitários federais, em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Casos de intoxicação por metanol no Brasil e no Ceará
Até o dia 13 de outubro, o Brasil registrava 213 notificações de intoxicação por metanol relacionadas ao consumo de bebidas adulteradas. Destas, 32 foram confirmadas e 181 permaneciam em investigação. O Ceará, até o momento, não possui casos confirmados nem suspeitos de intoxicação.
O estado, no entanto, chegou a investigar alguns casos após notificações em diferentes municípios. Entre os registros, estavam ocorrências em Quixeramobim, Caucaia, São Gonçalo do Amarante, Aquiraz, Juazeiro do Norte e Fortaleza. Todos foram posteriormente descartados após laudos da Perícia Forense do Ceará (Pefoce).
A Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) informou que segue monitorando a situação e mantém articulação constante com o Ministério da Saúde e os Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs). A pasta reforçou ainda as recomendações para notificação imediata de casos suspeitos e a importância da detecção precoce e do tratamento rápido para salvar vidas.
Em nível nacional, o estado de São Paulo é o único com registro de óbitos confirmados até o momento, cinco mortes foram contabilizadas, enquanto outras nove estão em investigação.




