A polícia francesa prendeu dois suspeitos apontados como envolvidos no roubo de joias avaliadas em cerca de US$ 102 milhões no Museu do Louvre, em Paris. O assalto, ocorrido no último domingo (19), é considerado um dos mais ousados e rápidos da história recente da França, tendo durado apenas sete minutos.
De acordo com a promotoria de Paris, um dos detidos foi preso no aeroporto Charles de Gaulle, quando se preparava para embarcar em um voo com destino à Argélia. O segundo suspeito foi capturado na região metropolitana de Paris. Ambos têm cerca de 30 anos, já eram conhecidos da polícia e estão sendo investigados pelos crimes de “furto organizado” e “associação criminosa”.
A promotora Laure Beccuau confirmou as prisões, mas lamentou o vazamento das informações à imprensa, afirmando que a divulgação precoce poderia prejudicar as investigações e dificultar a recuperação das joias. Segundo a legislação francesa, os suspeitos poderão ser interrogados por até 96 horas antes de serem formalmente acusados.
Roubo no Museu do Louvre
O roubo aconteceu logo após a abertura do museu para visitação. A quadrilha chegou ao local pela manhã e utilizou um elevador mecânico acoplado a um veículo para acessar uma janela do primeiro andar, na Galeria de Apolo, próxima ao rio Sena. Imagens do local mostram que os criminosos cortaram as grades da janela com ferramentas elétricas e renderam os guardas, que acabaram fugindo.
Dentro da galeria, os ladrões quebraram as vitrines que guardavam as joias napoleônicas e fugiram em duas motocicletas, deixando o local às 9h38 (horário local). O grupo levou relíquias históricas, incluindo um colar de diamantes e esmeraldas da imperatriz Maria Luísa e uma coroa da imperatriz Eugênia, adornada com mais de 1.300 diamantes e 56 esmeraldas.
Um relatório preliminar apontou falhas graves na segurança do museu: uma em cada três salas da área invadida não tinha câmeras de vigilância, e a única câmera externa voltada para a Galeria de Apolo estava mal posicionada. O diretor do Louvre, Laurence des Cars, admitiu que parte do sistema de monitoramento era “antigo” e insuficiente para evitar o crime.
Desdobramentos
Especialistas afirmam que, mesmo com as prisões, a recuperação das joias é incerta. Segundo o detetive holandês Arthur Brand, especialista em arte, os criminosos podem ter derretido o ouro e a prata e cortado as pedras preciosas em fragmentos, o que dificultaria qualquer rastreamento.
Após o roubo, as medidas de segurança em museus e instituições culturais francesas foram reforçadas. Parte das joias mais valiosas do Louvre foi transferida para o Banco da França, onde agora está armazenada em um cofre subterrâneo a 26 metros de profundidade, no centro de Paris.
As investigações continuam sob sigilo, e novas prisões não estão descartadas.




