O número oficial de mortos chegou a pelo menos 64 pessoas, incluindo quatro policiais, sendo dois civis e dois militares
O que está acontecendo no Rio de Janeiro? Saiba tudo sobre operação no Complexo do Alemão
Nesta terça-feira, 28 de outubro de 2025, o Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, palco de uma das maiores ações policiais dos últimos anos, vive um dia de intensos confrontos, prisões e apreensões. A megaoperação, que também ocorre na Penha, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar com o objetivo de conter a expansão do Comando Vermelho (CV) e prender líderes da facção criminosas. Desde as primeiras horas do dia, tiroteios frequentes assustaram moradores e deixaram marcas profundas na segurança pública da cidade.

Operação Contenção: detalhes e números da ação policial
Batizada de Operação Contenção, a ação é considerada a maior e mais letal dos últimos 15 anos no estado do Rio de Janeiro. Até o momento, o governo estadual confirmou ao menos 64 mortos, entre suspeitos e policiais — incluindo quatro agentes — e cerca de 81 pessoas presas. Foram cumpridos 100 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho, com destaque para cerca de 30 alvos vindos de outros estados, como Pará e Bahia. Durante os confrontos, dois suspeitos da Bahia foram mortos, e há registros de três moradores feridos por bala perdida, todos socorridos e um já tendo recebido alta.
Além das mortes e prisões, a polícia apreendeu 75 fuzis e uma grande quantidade de drogas que ainda está sendo contabilizada. O uso de drones pela facção para retaliar a polícia foi confirmado, sinalizando a complexidade e o grau de organização do grupo criminoso. Esta ação representou um endurecimento do combate ao narcoterrorismo no Rio, visto como uma resposta às crescentes tensões territoriais entre as facções.
O número oficial de mortos na megaoperação no Complexo do Alemão chegou a pelo menos 64 pessoas, incluindo quatro policiais, sendo dois civis e dois militares. Além disso, 81 suspeitos foram presos durante a ação, considerada a mais letal da história do estado do Rio de Janeiro.
Complexo do Alemão: impactos na cidade e recomendações à população
Em razão da megaoperação, o município do Rio entrou em estágio 2 de atenção, considerado de risco alto para a população, com interdições temporárias em vias importantes nos arredores dos complexos do Alemão, Penha, Chapadão, São Francisco Xavier e até na zona sudoeste, como na Taquara. Consequentemente, mais de 100 linhas de ônibus tiveram seus itinerários desviados, e o sistema BRT sofreu impactos nas rotas Transbrasil e Transcarioca, embora metrô e trens tenham operado normalmente.
O Centro de Operações e Resiliência do Rio (COR-Rio) recomendou para moradores e motoristas que evitem circular nas áreas impactadas, permaneçam em locais seguros e se mantenham informados por meio dos canais oficiais. Também foram divulgados números de emergência para contato direto com as forças policiais e corpo de bombeiros, reforçando a necessidade de prudência em meio ao cenário de conflito.
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Operação no Rio de Janeiro: o que dizem os Governos do Estado e Federal
O governo do estado ressaltou que se trata de uma operação necessária e planejada, com aproximadamente 2,5 mil agentes envolvidos para cumprir cerca de 100 mandados de prisão contra líderes e membros do Comando Vermelho. O secretário de Segurança Pública do estado, Victor Santos, afirmou que a operação vai continuar e destacou a complexidade da luta contra o crime organizado na cidade.
Por outro lado, o governador Cláudio Castro afirmou que o governo federal recusou ajudar nas operações policiais no Rio, negando apoio em três pedidos para o empréstimo de blindados e para a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), operação militar constitucional para atuar em segurança pública em situações excepcionais. Castro criticou a falta de integração entre as forças estaduais e federais, classificando o momento como um “estado de defesa” em que o estado está sozinho no combate ao narcoterrorismo.
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, negou oficialmente ter recebido qualquer pedido de ajuda do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, para a megaoperação no Complexo do Alemão e Penha, realizada em 28 de outubro de 2025. Em entrevista coletiva no Ceará, Lewandowski afirmou que não houve nenhum contato ou solicitação formal para apoio na ação policial, seja para envio de blindados ou para a ativação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que depende da decretação do governo federal e da comprovação da falência dos órgãos estaduais de segurança.
Lewandowski explicou que, para a utilização dos blindados, seria necessária a decretação da GLO, o que implica que o governador reconheça uma situação excepcional e transfira a responsabilidade da segurança pública para as Forças Armadas, procedimento que não foi solicitado pelo estado. O ministro ainda destacou que o governo federal tem cumprido seu papel por meio da Força Nacional, que apoia as ações estaduais desde 2023, e citou projetos de lei e propostas de emenda constitucional em tramitação para fortalecer o combate às facções criminosas.
Assim, enquanto o governo do Rio lamenta a dificuldade em obter apoio federal direto na megaoperação que resultou em dezenas de mortos e prisões, o ministério da Justiça nega ter sido formalmente acionado para esses pedidos e reforça a cooperação já existente por meio da Força Nacional e outras iniciativas federais para a segurança pública no estado.
Repercussão nacional e internacional
A operação tem gerado grande repercussão na imprensa nacional e internacional, sendo destacada como a mais letal da história recente de operações policiais no estado do Rio de Janeiro. A agência Reuters ressaltou que a ação ocorre poucos dias antes da cidade sediar eventos globais ligados à COP30, a cúpula do clima das Nações Unidas. A repercussão mostra preocupação com a segurança em um momento em que o Rio se prepara para receber importantes delegações internacionais.
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