A cidade do Rio de Janeiro viveu um dos dias mais violentos de sua história recente nesta terça-feira, 28 de outubro de 2025, com uma megaoperação das polícias Civil e Militar nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte. A ação, considerada a maior mobilização policial dos últimos 15 anos na cidade, envolveu cerca de 2,5 mil agentes e teve como objetivo principal atacar lideranças e integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) e impedir seu fortalecimento. Veja a seguir todos os detalhes sobre o que aconteceu no Rio de Janeiro nessa terça-feira (28) e os desdobramentos da megaoperação nesta quarta-feira (29).
Alta letalidade e dezenas de mortes
A operação superou o histórico negativo da intervenção no Jacarezinho em 2021, apontada como chacina, confirmando pelo menos 64 mortes. Dentre os mortos, estão 60 suspeitos ligados ao crime organizado e quatro policiais — dois civis e dois militares — que também foram vítimas durante os confrontos. Além disso, 75 pessoas ficaram baleadas e mais de 80 foram presas, algumas delas integrantes de uma facção criminosa do Pará que estavam refugiadas no Rio de Janeiro.
Confisco de armas e bloqueios pela cidade
Durante a operação, a polícia apreendeu cerca de 70 fuzis, além de pistolas, granadas e diversos armamentos pesados, evidenciando o alto grau de armamento das facções que resistiram à ação. A reação do tráfico se estendeu para outras partes da cidade, com barricadas formadas por veículos e entulhos bloqueando importantes vias como a Linha Amarela, Grajaú-Jacarepaguá e a Rua Dias da Cruz no Méier.
Estágio de alerta e tensão na cidade
Em função dos bloqueios, confrontos e o clima generalizado de insegurança, o Centro de Operações e Resiliência do Rio elevou o estágio operacional da cidade para o nível 2 (de uma escala até 5), sinalizando o risco de ocorrências de alto impacto. A Polícia Militar mobilizou todo seu efetivo para manejar o cenário caótico, suspendendo temporariamente atividades administrativas para se dedicar à operação.
Megaoperação no Rio de Janeiro: repercussões políticas e sociais
A megaoperação no Rio de Janeiro gerou forte repercussão política e social. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), por meio da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, cobrou explicações rigorosas ao Ministério Público e às polícias Civil e Militar sobre as circunstâncias que levaram ao alto número de mortos, classificando a ação como “cenário de guerra e barbárie”. Parlamentares questionaram a letalidade e a falta de planejamento, enquanto representantes da oposição afirmaram ser necessária cooperação entre governos ao invés de disputas políticas para a segurança pública.
Contexto e impacto internacional
Veículos de imprensa internacionais noticiaram a operação com grande destaque, classificando-a como o dia mais sangrento na história do Rio de Janeiro. A operação aconteceu em um momento delicado para o país, já que o Rio se prepara para receber eventos internacionais ligados à COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Organizações internacionais e veículos como The Guardian mencionaram o uso inédito de drones armados pelo Comando Vermelho para atacar as forças policiais, um sinal da escalada de violência e armamento das facções no estado.
Número de mortos e corpos na mata
De acordo com moradores e fontes oficiais, até o momento, mais de 120 corpos foram resgatados na área de mata da Serra da Misericórdia, entre os complexos do Alemão e da Penha. Os moradores da região relataram que, ao longo da madrugada e manhã, pelo menos 74 corpos foram levados até a Praça São Lucas, na Penha, por familiares, amigos e moradores, que tentam identificar parentes entre os corpos. Esses cadáveres foram encontrados na mata da Vacaria, local onde ocorreram os confrontos mais violentos entre as forças de segurança e os criminosos do Comando Vermelho.
O governo do Rio de Janeiro confirmou oficialmente, nesta quarta-feira, 29, que o número de mortos chegou a 121. Destes, 4 eram policiais e 117 suspeitos de envolvimento com o crime organizado, sobretudo integrantes do tráfico de drogas ligados ao CV. Estes números representam a maior tragédia na história policial do estado, uma resposta à ofensiva do Estado contra o crime organizado na região.
Retirada de corpos pelos moradores
Moradores do Complexo da Penha continuam retirando corpos de áreas de mata e de locais de difícil acesso. Relatos indicam que essas pessoas encontram e levam os cadáveres, reforçando o número de vítimas da operação. Além dos corpos encontrados na mata, outros seis corpos foram levados de uma área no Complexo do Alemão, onde também ocorreram confrontos violentos durante a ação. Essas informações ainda estão sendo atualizadas e confirmadas pelas autoridades.
Chacina no Rio de Janeiro supera massacre no Carandiru
O número de mortos até o momento faz da operação uma das mais trágicas já registradas na história do Rio de Janeiro. Ainda há expectativa de que o total de óbitos aumente, pois as buscas e remoções continuam, e há relatos de corpos ainda não localizados oficialmente. A operação foi marcada por confrontos intensos, uso de drones e resistência dos criminosos, o que agravou ainda mais o saldo de vítimas e a crise humanitária na região.
De acordo com fontes de diversas operações e moradores, o apelo internacional e a repercussão política também estão crescentes, já que a operação expôs a violenta disputa pelo controle de territórios pelo crime organizado, bem como as dificuldades do Estado em retomar a segurança pública de forma pacífica e efetiva. As autoridades enfrentam críticas pela escalada de violência, enquanto defendem a ação como necessária para combater o crime organizado na região.
O debate entre o governo do estado do Rio de Janeiro e o governo federal ganhou destaque após a megaoperação policial realizada em 28 de outubro de 2025, considerada a mais letal da história do estado, com mais de 120 mortos.
A megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro se tornou a mais letal da história do estado, superando em número de mortes o Massacre do Carandiru, ocorrido em 1992 em São Paulo. De acordo com o último balanço oficial do governo do Rio, a operação deixou 121 mortos, sendo 117 suspeitos e 4 policiais, ultrapassando os 111 mortos do Carandiru.
Divergências sobre apoio e uso da GLO
O governador do Rio, Cláudio Castro, declarou publicamente que a operação excedeu os limites do governo estadual e cobrou mais apoio do governo federal para o combate às organizações criminosas. Ele afirmou que pedidos de auxílio, como empréstimo de veículos blindados das Forças Armadas, foram negados sob a justificativa de que seria necessário o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) pelo presidente da República, Lula, que se mostrou contrário à decretação até então.
Por outro lado, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou que não recebeu nenhum pedido oficial de apoio do governo do Rio para a operação. Lewandowski explicou que a GLO é uma operação complexa, prevista na Constituição e que só pode ser decretada em situações excepcionais, quando há esgotamento das forças policiais estaduais, passando o comando para as Forças Armadas sob o comando do presidente da República.
Troca de acusações públicas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao retornar de viagem pela Ásia, ficou "estarrecido" com o número de mortes na megaoperação realizada no Rio de Janeiro em 28 de outubro, considerada a mais letal da história do estado. Segundo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, Lula se mostrou surpreso por a ação ter sido desencadeada sem o conhecimento do governo federal e sem a participação deste. Lewandowski qualifica a operação como "extremamente cruenta e violenta" e destacou que a responsabilidade pela segurança pública é dos governos estaduais, embora defenda maior colaboração entre as forças federais e estaduais. Lula realizou reunião com ministros no Palácio do Alvorada para alinhar ações futuras no Rio.
O ministro Ricardo Lewandowski afirmou que a Polícia Federal não participou da operação por considerar a ação "não razoável" e que a decisão de uma megaoperação desse porte não pode ser tomada por escalões inferiores, ressaltando a necessidade de comunicação em níveis superiores. Ele explicou que a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que poderia autorizar o uso das Forças Armadas, é uma medida excepcional e complexa, e que não foi discutida ainda.
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, criticou publicamente o governo federal, afirmando que o Rio de Janeiro ficou "sozinho" na operação, citando que pedidos de empréstimo de blindados e apoio foram negados devido à falta de decreto de GLO, o qual, segundo ele, o presidente Lula é contra. Castro alegou que houve recusas reiteradas do governo federal para apoiar a operação nas condições exigidas.
Secretários estaduais de Segurança se alinharam com a posição do governador, ressaltando as dificuldades enfrentadas pela polícia estadual para conter uma facção fortemente armada sem apoio suficiente de forças federais. Ao mesmo tempo, o governo federal destaca que tem atendido prontamente aos pedidos para emprego da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), e lembra que desde 2023 foram acatadas 11 solicitações do estado, além de operações da Polícia Federal que resultaram em prisões e apreensões significativas no Rio.




