A ativista brasileira Luisa Mell pintou seu corpo de 'planeta Terra' em um protesto contra o agronegócio e em defesa do veganismo durante a Conferência das Nações Unidas Sobre Mudança Climática (COP-30), em Belém (PA), nesta quinta-feira, 6 "É um pedido de ajuda. Estou aqui para implorar que o mundo acorde", afirmou em um vídeo publicado em suas redes sociais.
Luisa afirma que a principal causa da destruição da Amazônia e da natureza é a pecuária. "Infelizmente, aqui na COP-30, enquanto eles discutem soluções para o planeta, eles vão comer os animais, contribuindo para o agronegócio", disse Luisa Mell. "Estou deitada quase nua, com o corpo pintado como o nosso planeta em chamas, para mostrar o que a carne e os laticínios estão fazendo com a Terra. Servir carne em uma cúpula do clima é como tentar apagar um incêndio com gasolina", afirmou.
Ela afirma que nunca "tirou a roupa assim", mas realizou o ato para "chamar a atenção à causa". A ativista foi fotografada deitada em frente a um banner com a imagem de um incêndio florestal, um garfo em suas costas e a frase: "Comer animais alimenta o fogo. Por favor, vire vegano". O ato foi realizado em parceria com a ONG People for the Ethical Treatment of Animals (Peta).
"É o momento de levar a sério os alertas", diz Lula em discurso na Cúpula dos Líderes da COP30
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pontuou que é "o momento de levar a sério os alerta da ciência", durante discurso na abertura da Cúpula dos Líderes da COP30, a Conferência do Clima, em Belém. Lula destacou que a conferência, realizada pela primeira vez na Amazônia, simboliza um novo paradigma no combate às mudanças climáticas e chamou o evento de “a COP da verdade”.
O presidente reforçou que esse é o momento de encarar a realidade ameaçadora do aquecimento global. “É hora de decidir se teremos ou não a coragem e a determinação necessárias para transformá-la”, enfatizou. Lula ressaltou que a crise climática deve estar no centro das decisões de governos, empresas e cidadãos, e que acelerar a transição energética e proteger a natureza são as formas mais eficazes de conter o aquecimento da Terra.
Durante o discurso, Lula alertou para os impactos graves da continuidade do uso de combustíveis fósseis e do desmatamento, citando dados recentes que indicam que o ano de 2024 foi o primeiro em que a temperatura média global ultrapassou 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, um marco crítico para o planeta. Ele destacou ainda que a agenda climática está diretamente ligada ao combate às desigualdades sociais, à fome, à pobreza, ao racismo e à promoção de uma governança global mais justa e inclusiva.
Lula ainda conclamou os líderes mundiais para que façam da COP30 um ponto de virada, priorizando a implementação de soluções concretas e o fortalecimento da cooperação internacional. “Podemos escolher liderar ou ser levados à ruína. Escolham fazer de Belém o ponto de virada”, convocou o presidente brasileiro.
O caminho, segundo o presidente, exige superação de dificuldades e contradições em nome de um bem comum. “Estou convencido de que, apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de mapas do caminho para, de forma justa e planejada, reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos”, prosseguiu ele.
Dificuldades
Na opinião do presidente, o avanço na agenda climática passa pela superação de dois descompassos: a desconexão entre os salões diplomáticos e o mundo real e o descasamento entre o contexto geopolítico e a urgência climática. “Forças extremistas fabricam inverdades para obter ganhos eleitorais e aprisionar as gerações futuras a um modelo ultrapassado que perpetua disparidades sociais e econômicas e degradação ambiental. Rivalidades estratégicas e conflitos armados desviam a atenção e drenam os recursos que deveriam ser canalizados para o enfrentamento do aquecimento global. Enquanto isso, a janela de oportunidade que temos para agir está se fechando rapidamente”, disse Lula.
Desigualdades
Em outro ponto, o presidente enfatizou que não é possível triunfar na agenda climática sem combater desigualdades sociais. “A justiça climática é aliada do combate à fome e à pobreza, da luta contra o racismo, da igualdade de gênero e da promoção de uma governança global mais representativa e inclusiva”.
Multilateralismo
Ele reforçou ainda a posição em defesa do multilateralismo, ao colocar a cooperação internacional como elemento indispensável do combate à mudança do clima. “O ano de 2025 é um marco para o multilateralismo. Celebramos os oitenta anos da fundação da Organização das Nações Unidas e os dez anos da adoção do Acordo de Paris. A força do Acordo de Paris reside no respeito ao protagonismo de cada país na definição de suas próprias metas, à luz de suas capacidades nacionais. O regime climático não está imune à lógica de soma zero que tem prevalecido na ordem internacional”, alertou.




