O Governo do Ceará apresentou, nesta quinta-feira (13), na Zona Verde da COP30, em Belém, o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Ceará (IEGEE-CE), documento elaborado pelo ICLEI em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema). O estudo reúne informações sobre emissões e remoções de gases de efeito estufa no estado entre 2018 e 2023. A apresentação contou com a participação do governador Elmano de Freitas, da secretária Vilma Freire, do secretário-executivo do ICLEI, Rodrigo Perpétuo, e do presidente da Assembleia Legislativa, Romeu Aldigueri.
O inventário atende às diretrizes da Política Estadual sobre Mudanças Climáticas e compromissos internacionais assumidos pelo Ceará, seguindo metodologia do Protocolo Global para Inventários de Emissões na Escala da Comunidade (GPC), que permite padronização e comparabilidade dos dados.
Durante a apresentação, Elmano de Freitas destacou que os dados reunidos irão subsidiar ações de mitigação e apoiar a formulação de políticas públicas voltadas à transição energética e ao baixo carbono. A secretária Vilma Freire afirmou que o documento deve servir como referência para decisões baseadas em evidências e para o engajamento da sociedade na agenda climática.
O relatório também aponta desafios para as etapas seguintes, como fortalecer a conformidade climática estadual, monitorar metas, ampliar transparência e aprimorar estruturas institucionais.
COP30: setores que mais contribuíram para as emissões no Ceará
Os dados do IEGEE-CE mostram que as emissões líquidas totais cresceram 24,11% entre 2018 e 2023, passando de 28,17MtCO₂e para 34,96MtCO₂e. Entre os setores avaliados, os principais destaques foram:
- Agricultura, florestas e uso do solo (AFOLU): maior fonte de emissões em 2023, impulsionada por desmatamento e pecuária, com aumento de 166%.
- Processos industriais e uso de produtos (IPPU): segunda maior contribuição, com expansão de 13,3%, especialmente na produção de aço e cimento.
- Transportes: terceira maior fonte, com alta de 8,2%, concentrada no modal rodoviário e no uso de combustíveis fósseis.
- Energia estacionária: redução de 72,5% no período, ainda marcada pelo uso de combustíveis fósseis, variando conforme o funcionamento de termoelétricas.
- Resíduos: aumento de 18,6%, com destaque para emissões em unidades de disposição de resíduos, efluentes e queimadas.
O inventário lista oportunidades de melhoria que incluem ampliar reflorestamento e recuperação de áreas degradadas, fortalecer a geração de energia renovável, diversificar os modais de transporte, estimular eficiência energética na indústria, expandir coleta seletiva e reciclagem e avançar na universalização do saneamento básico.




