Morreu nesta segunda-feira (17), aos 82 anos, o cantor, compositor e ator Jards Macalé, conhecido como um dos grandes nomes da música brasileira e do movimento Tropicália.
Ele estava internado em um hospital na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para tratar um enfisema pulmonar e sofreu uma parada cardíaca após uma cirurgia. A família confirmou a morte por meio de nota oficial nas redes sociais.
"Jards Macalé nos deixou hoje. Chegou a acordar de uma cirurgia cantando "Meu Nome é Gal", com toda a energia e bom humor que sempre teve", pontua a nota. "Agradecemos, desde já, o carinho, o amor e a admiração de todos", dizem ainda os familiares.
Legado
Carinhosamente chamado de “anjo torto” da MPB, Jards Macalé deixa um legado musical que inclui contribuições importantes para trilhas sonoras de filmes clássicos do cinema brasileiro.
Entre seus principais sucessos estão "Vapor Barato", imortalizado na voz de Gal Costa, "Mal Secreto", "Anjo Exterminado" e "Movimento dos Barcos", esta última muito regravada por Maria Bethânia, com quem manteve uma parceria duradoura.
Seu álbum de estreia, "Jards Macalé" (1972), é cultuado até hoje pela sua mistura original de rock, samba, blues e baião, enquanto trabalhos posteriores como "Let’s Play That" (1994) e "O Que Faço É Música" (1998) comunicam a versatilidade do artista. Além da música, atuou como ator e participou de projetos que atravessaram diversas expressões culturais.
Mensagens de autoridades e famosos após a morte de Jards Macalé
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou pesar pela morte do artista, nesta segunda. Nas redes sociais, Lula destacou a importância do artista na música popular brasileira e na luta pela redemocratização do país, ressaltando que Macalé sempre integrou política e arte em sua trajetória.
''Jards Macalé dizia que o amor é um gesto político. E que em tempos de ódio e de intrigas como os que vivemos recentemente, pouca gente falava do amor, e por isso era tão importante cantá-lo'', escreveu o presidente. Lula lembrou que se encontrou diversas vezes com o músico ao longo dos anos, ressaltando que ele transformou seu talento em uma luta contínua contra o autoritarismo.
Caetano Veloso expressou tristeza, lembrando da importância de Macalé na história da música brasileira, destacando sua influência e a relação de amizade entre eles. Maria Bethânia também lamentou profundamente a perda, reunindo-se às homenagens de diversos nomes da MPB que reconheceram seu legado de irreverência, poesia e inovação.
Confira na íntegra a nota divulgada pela família do artista:
Jards Macalé nos deixou hoje. Chegou a acordar de uma cirurgia cantando "Meu Nome é Gal", com toda a energia e bom humor que sempre teve.
"Cante, cante, cante!" É assim que sempre lembraremos do nosso mestre, professor e farol de liberdade.
Agradecemos, desde já, o carinho, o amor e a admiração de todos.
Em breve informaremos detalhes sobre o funeral.




