Um vídeo anexado ao processo que investiga Jair Bolsonaro mostra a tornozeleira eletrônica utilizada pelo ex-presidente com sinais de violação e marcas compatíveis com exposição ao calor. Nas imagens, a diretora-adjunta da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, Rita Gaio, questiona Bolsonaro sobre o estado do equipamento. Ele responde: “meti um ferro quente aqui”.
No diálogo registrado no processo, Rita Gaio pergunta se Bolsonaro utilizou algum objeto para queimar o dispositivo. O ex-presidente confirma e detalha: “ferro de soldar, solda”. Ele também chega a afirmar que fez isso por “curiosidade”. A diretora continua a checagem, questiona se ele tentou puxar a pulseira e verifica se a tampa chegou a se soltar. O ex-presidente nega ter rompido a pulseira e afirma que tudo estava “na paz”.
Tornozeleira foi substituída após violação
O alarme da tornozeleira eletrônica disparou às 0h07 deste sábado (22). A equipe responsável pela segurança de Bolsonaro foi imediatamente acionada pela Secretaria de Administração Penitenciária do DF, que constatou a violação e fez a troca do dispositivo às 1h09.
A defesa deve argumentar que Bolsonaro agiu durante um surto. Aliados admitem a tentativa de violação, mas pretendem atribuí-la a privação de sono, efeitos de medicamentos ou até à crença de que o equipamento teria escutas acopladas. A estratégia busca afastar a hipótese de tentativa de fuga.
Para o ministro Alexandre de Moraes, no entanto, a violação “constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga”, que poderia ser facilitada pela vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na frente do condomínio Solar de Brasília 2.
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Bolsonaro está preso na Superintendência da PF
O ex-presidente está custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde ocupa uma cela de aproximadamente 12 metros quadrados, reformada recentemente. O espaço conta com cama de solteiro, televisão, frigobar, ar-condicionado, armários, mesa de apoio, janela e banheiro privativo.
Conforme a PF, Bolsonaro não terá contato com outros detentos e poderá sair para banho de sol. Ele foi levado ao local sem algemas e sem exposição à imprensa, seguindo decisão judicial.
A prisão preventiva foi decretada por Alexandre de Moraes, e a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) analisará o caso em sessão virtual extraordinária nesta segunda-feira, convocada pelo ministro Flávio Dino.
Moraes aponta violação de regras e risco de fuga
Na decisão, Moraes destaca que Bolsonaro descumpriu as normas do monitoramento eletrônico e apresentava “elevado risco de fuga”. O ex-presidente já havia sido condenado em setembro pelo STF a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado, acusado de liderar uma organização criminosa envolvida em tentativa de golpe de Estado. A prisão atual, porém, não corresponde ao início do cumprimento dessa pena.
PF afirma que prisão foi necessária para preservar ordem pública
O pedido de prisão preventiva foi feito pela Polícia Federal, que considerou a medida necessária para preservar a ordem pública. A avaliação foi reforçada depois que Flávio Bolsonaro convocou apoiadores para uma vigília nas proximidades do condomínio onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar.
Bolsonaro foi levado para uma sala de Estado na Superintendência da PF, espaço destinado a autoridades e figuras públicas de alta hierarquia.




