Pablo Marçal declarou à Folha de S.Paulo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silvia “não perde para ninguém” no cenário político atual e o classificou como “o político mais influente da história”, ao analisar as perspectivas para 2026 e avaliar o enfraquecimento de lideranças da direita. O influenciador afirmou ainda que o país precisa de pacificação e que a direita se tornou refém do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante a entrevista que aconteceu em Alphaville, na Grande São Paulo, Pablo Marçal disse acreditar que Lula mantém vantagem ampla para a disputa de 2026. Segundo ele, apenas uma deterioração significativa da saúde do presidente poderia mudar o cenário.
“Do jeito que está hoje, Lula não perde para ninguém. Infelizmente, Lula é o político mais influente da história”, afirmou. O influenciador argumentou que, pela idade, cada ano do governo tem impacto maior. Ainda assim, avaliou que o petista não forma novas lideranças ao seu redor.
Na avaliação de Marçal, a direita vive um vácuo de liderança e permanece dependente de Jair Bolsonaro. Ele citou Tarcísio de Freitas como o nome com maior potencial, mas disse que o governador depende do apoio do ex-presidente.
“A direita e a esquerda não têm dono, falta protagonista. Fica todo mundo refém de Bolsonaro”, declarou. Marçal disse ainda que parte do eleitorado está cansada da repetição do embate Lula x Bolsonaro.
Laudo falso contra Boulos
Ao falar com a Folha de S.Paulo, Marçal revisitou a campanha municipal de 2024. Ele acusou falsamente o adversário Guilherme Boulos de portar drogas e divulgou um laudo posteriormente comprovado como falso. O influenciador responsabilizou o advogado Tassio Renam Botelho pela postagem, e ambos foram denunciados pelo Ministério Público Eleitoral.
Marçal afirmou que não viu o documento antes da publicação e que estava em um podcast quando a equipe divulgou o material. “Jamais aprovaria”, disse. O advogado não respondeu aos contatos da reportagem.
Passado um ano, Marçal descreve o período eleitoral como “loucura” e “guerra”. Segundo ele, a dinâmica da campanha envolve privação, ataques e excesso de informações. O influenciador minimizou episódios como a cadeirada em debate e disse ter adotado um “arquétipo de rebelde” para chamar atenção.
Questionado sobre por que repetiu nos debates que Boulos teria sido preso — alegação falsa associada a um processo de um homônimo — Marçal disse que apenas reproduzia informações que circulavam nos bastidores. “Dizer é uma coisa, mas vocês foram lá e caçaram”, afirmou.
Cenário de 2026
Embora não descarte disputar a Presidência, Marçal afirma estar afastado da política e focado na família e nos negócios. Segundo ele, o país pode romper a polarização se surgir um outsider “não apadrinhado”.
O influenciador avalia que o centrão mantém o maior poder no país e que governantes precisam negociar. Sobre a relação com Bolsonaro, disse que o ex-presidente teria o apoiado em 2024 caso não dependesse de acordos com o MDB para tratar de seus processos.
Marçal disse que não se sente obrigado a comentar todos os temas e afirmou que a política brasileira precisa de moderação. “O Brasil tem que voltar para a pacificação. A gente tinha que parar com esse auê, é muita confusão”, declarou.
Ele afirmou acreditar tanto na Justiça quanto no “tempo certo” para avaliar se voltará à política após a resolução de processos.



