O ataque na escola particular no bairro Lagoa Redonda, em Fortaleza, deixou um aluno gravemente ferido após ser esfaqueado mais de dez vezes dentro do banheiro. O pai do adolescente relata que havia deixado o filho minutos antes e recebeu a ligação informando que ele havia sido esfaqueado. Um aluno de 16 anos, que levava três facas, também feriu um professor e uma coordenadora ao ser contido.
“Acabei de deixar meu filho no colégio, eu moro aqui perto. E recebo a ligação”, disse. Ele contou que a escola informou apenas que “tinha acontecido um incidente” e que ele precisava retornar imediatamente.
Ao chegar à unidade, encontrou ambulâncias e viaturas. “Quando cheguei aqui, me deparei com duas ambulâncias, mais de três viaturas da Polícia Militar. Aí eu vi que a coisa era grave.”
O responsável descreveu o impacto ao ver o filho: “Visualizei meu filho, eu tirei uma foto dele. Eu não acreditei. Perguntei pra ele. Menino de ouro, tá calmo. ‘Não pai, não foi nada, tô bem.’ Todo cortado.”
Agressor foi ao banheiro com três facas
A investigação aponta que o ataque começou no banheiro, onde o agressor surpreendeu a vítima por trás.
O pai também disse que o agressor escolheu a vítima “aleatoriamente”: “Poderia ter sido qualquer pessoa que estivesse naquele local”, disse citando investigadores.
O tio de outro aluno ferido afirmou: “Eles faqueou o professor, o meu sobrinho e mais outro. (…) Sete perfurações, viu?”
Segundo os relatos, o professor entrou no banheiro ao ouvir o tumulto e também foi atacado. A coordenadora, que tentou intervir, igualmente sofreu lesões. Ambos receberam atendimento médico e tiveram alta.
O estudante ferido relatou à família que estava no banheiro “se olhando no espelho” quando foi surpreendido. Ele contou que caiu no chão e tentou se defender enquanto era golpeado.
Possível premeditação e questões psicológicas
Fontes da Polícia Civil disseram que o adolescente apresentava “problemas de ansiedade” e teria sofrido um “gatilho” antes do ataque. A escola informou aos familiares das vítimas que o agressor enfrentava questões “psicológicas delicadas”.
Investigadores afirmaram que o jovem “gosta de jogos violentos” e avaliam se esse hábito influenciou o comportamento. Psicólogos também ouviram o adolescente na Delegacia da Criança e do Adolescente.
Nota da escola e estado das vítimas
Em nota, o colégio disse que “nenhum dos envolvidos corre risco de vida” e confirmou três feridos: um aluno, um professor e uma coordenadora. A unidade afirmou colaborar com as autoridades e preferiu não divulgar detalhes por envolver menores de idade.
A família do aluno mais gravemente ferido informou que ele passou por cirurgia e precisou ser transferido para outro hospital para exames adicionais. O estado de saúde dele é estável.
O agressor responde por ato infracional análogo à lesão corporal dolosa. A Polícia Civil investiga a motivação, a premeditação e como o adolescente conseguiu entrar na escola com três facas.




