O estudante de 15 anos apreendido por esfaquear um colega dentro de uma escola particular de Fortaleza afirmou em depoimento que escolheu a vítima de forma aleatória. O ataque ocorreu na manhã desta terça-feira (2), no bairro Lagoa Redonda, e deixou ainda um professor e uma coordenadora feridos ao tentarem conter a ação. O portal GCMais teve acesso ao relato prestado pelo adolescente na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA).
Segundo o depoimento, o agressor levou três facas para o colégio após decidir, na noite anterior, que cometeria um ato de violência para que as pessoas percebessem que ele “não estava bem” e não conseguia acompanhar o ritmo escolar. O estudante contou que se sentia pressionado pelo baixo rendimento acadêmico, havia ficado de recuperação em cinco disciplinas e teve o videogame proibido pelo pai, o que o deixou contrariado. Ele relatou consumo frequente de jogos e conteúdos violentos.
De acordo com a investigação, o adolescente se escondeu no banheiro e fez um “acordo consigo mesmo”: só atacaria se alguém entrasse no local antes das 7h25. A vítima, de 16 anos, entrou antes do horário e foi golpeada pelas costas. O autor admitiu que ficou “nervoso” e “emocionado” e chegou a pensar em matar o colega. Disse que o adolescente foi atingido por estar “no lugar errado, na hora errada”.
Durante a ação, um professor entrou para ajudar e também foi atacado. O agressor relatou que não tinha simpatia pelo docente e queria demonstrar descontentamento. Ele afirma não lembrar de ter agredido a coordenadora, que também ficou ferida. No depoimento, disse não sofrer bullying e garantiu não ter vínculo com facções criminosas. O adolescente entregou espontaneamente o celular e afirmou estar arrependido.
Ataque dentro da escola
O ataque mobilizou equipes de saúde e segurança. A vítima foi atingida por entre sete e dez golpes, segundo familiares, e foi levada ao Hospital Distrital Edmilson Barros de Oliveira (Frotinha de Messejana). O professor e a coordenadora também receberam atendimento.
Testemunhas relataram gritos vindos do banheiro. Pais chegaram em desespero à escola, que teve as aulas suspensas e o prédio isolado durante o atendimento às vítimas.
O pai do adolescente ferido relatou ter deixado o filho minutos antes do ataque. “Perguntei pra ele. Menino de ouro, tá calmo. ‘Não pai, não foi nada, tô bem.’ Todo cortado”, disse a equipe de reportagem da TV Cidade. A família afirmou que a escola já sabia que o autor passava por problemas psicológicos.
Depoimento e apreensão
O agressor sofreu um ferimento leve no dedo e foi levado à Delegacia da Criança e do Adolescente. Ele foi apreendido após ser contido por funcionários e por um professor.
A Polícia Civil segue investigando a motivação, as circunstâncias e o contexto familiar e escolar do adolescente.
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