A Transnordestina passou a ter 100% das obras autorizadas no Ceará após a assinatura, nesta quinta-feira (11), da ordem de serviço dos lotes 9 e 10, etapa final dos 97 quilômetros que atravessam oito municípios do estado. O ato, realizado no Palácio da Abolição, contou com autoridades federais, estaduais e representantes da empresa responsável pela ferrovia.
Com a autorização, toda a extensão cearense da ferrovia fica oficialmente liberada para execução, com expectativa de até 2 mil empregos diretos. Para o governador Elmano de Freitas, a mobilização representa um marco para o desenvolvimento do estado.
“Estamos falando de uma obra que, quando concluída, passa de R$ 15 bilhões, algo que vai transformar a economia do estado, colaborar com a logística do país e pode dobrar a movimentação de carga do Porto do Pecém”, destacou.
O trecho final da ferrovia inclui áreas de Baturité, Aracoiaba, Redenção, Acarape, Guaiúba, Palmácia, Maranguape e Caucaia. Elmano também ressaltou o impacto em setores como calçados, agronegócio e hidrogênio verde.
“Começamos a vislumbrar a conclusão da Transnordestina. Isso representa um ganho logístico imenso para o Brasil e para diversos setores do Ceará”, afirmou.
Avanço da Transnordestina e previsão de entrega
A assinatura se soma ao andamento da Fase I do projeto, que liga Paes Landim (PI) ao Porto do Pecém (CE) e já atingiu 79% de execução física. Segundo Ismael Trinks, diretor de Relações Governamentais da Transnordestina, o momento simboliza um avanço histórico.
“Estamos possibilitando a criação de empregos e oferecendo uma opção logística extremamente eficiente e barata para o Nordeste, especialmente para o Ceará”, disse.
Dos 1.206 quilômetros da linha principal, 676 km estão concluídos, enquanto outros 280 km seguem em execução nos lotes 4 a 8 e no lote 11, responsável pela chegada ao terminal portuário. A empresa Agis será a responsável pela etapa recém-autorizada, com mobilização prevista para os próximos dias.
A expectativa é que a Fase I seja entregue até 2027, garantindo a conexão plena da ferrovia com o Porto do Pecém.
Desenvolvimento regional e expectativa dos municípios
O superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, reforçou o impacto regional da obra:
“Quando a gente fala em desenvolvimento regional, estamos falando em geração de emprego e da necessidade da ligação que a ferrovia terá, conectando o Nordeste ao Centro-Sul”, observou.
Prefeitos dos municípios cortados pela ferrovia também participaram do evento. A prefeita de Guaiúba, Izabella Fernandes, destacou a eficiência dos investimentos:
“Serão mais empregos gerados, resultado da eficiência dos investimentos público-privados, para que a gente tenha uma economia mais pujante”, afirmou.
O prefeito de Maranguape, Átila Câmara, reforçou os benefícios logísticos para o estado:
“Vamos poder elevar o potencial do Porto do Pecém, que representa geração de desenvolvimento. O que nós estamos fazendo aqui hoje é histórico”, ressaltou.
Novos terminais
No Ceará, a Transnordestina contará com três terminais de carga: em Missão Velha, Iguatu e Quixeramobim. Este último abrigará o Porto Seco José Dias de Macêdo, um dos projetos mais robustos vinculados à ferrovia.
O empreendimento, conduzido pela Value Global Group, terá 362 hectares e investimento total de R$ 1 bilhão, dividido em duas fases. A primeira, estimada em R$ 350 milhões e com previsão de 1.300 empregos, deve ser entregue até agosto de 2026. A segunda envolve o processo de alfandegamento e está prevista para 2027.
O Porto Seco permitirá armazenagem, movimentação e despacho aduaneiro, ampliando a eficiência logística do interior cearense. A empresa também planeja instalar um distrito industrial, fortalecendo o papel do estado como hub logístico e industrial do Nordeste.




