Trabalhadores do consórcio responsável pelas obras do Anel Viário realizaram um protesto na tarde desta sexta-feira (12), após afirmarem que foram demitidos sem receber salários atrasados, rescisões e outros benefícios. O grupo se reuniu no trecho das obras e declarou que não permitirá o avanço dos serviços enquanto os direitos não forem pagos. Segundo eles, o consórcio teria deixado o canteiro e outra empresa já estaria no local, embora o nome ainda não tenha sido informado aos operários.
Os trabalhadores relatam que, além de não terem recebido integralmente o salário deste mês, tiveram suspensos o vale-alimentação e o vale-combustível. Parte da equipe também afirma que não há mais supervisão da antiga construtora no canteiro. “Estamos aqui em busca dos nossos direitos, que é salário atrasado. Nossa rescisão disseram que ia ser paga, até agora nada, não se manifestaram. O escritório foi desmobilizado, não tem quem a gente cobre. Alimentação disseram que ia cair, não vai cair mais. Nem vale combustível vai cair mais. Só estamos em busca dos nossos direitos”, disse um dos trabalhadores durante o protesto.
A manifestação ocorre dois dias após mais uma paralisação das obras, que acumulam anos de atrasos. Os operários afirmam que, sem acerto trabalhista, irão permanecer no local para impedir o avanço de qualquer outra empresa até que a situação seja solucionada.
A versão apresentada pelos trabalhadores contrasta com o que informou anteriormente a Superintendência de Obras Públicas (SOP). Em nota divulgada antes do protesto, o órgão afirmou que não há pendências financeiras por parte do Estado e que a empresa “paralisou indevidamente suas atividades, de forma unilateral e sem justificativa contratual”. A SOP destacou ainda que a construtora foi notificada e que medidas legais já estão em andamento. “A Superintendência já adota todas as medidas para a retomada dos trabalhos do Anel Viário”, disse o órgão.
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Crise reconhecida pelo governador
O governador Elmano de Freitas admitiu publicamente que há uma crise envolvendo a execução da obra. Segundo ele, o cronograma acordado com a empresa não foi cumprido e novas reuniões estão sendo realizadas para tentar viabilizar uma solução. “A empresa tem um cronograma estabelecido e não está cumprindo. Estamos discutindo para encontrar uma solução”, declarou o gestor.
Obra marcada por atrasos
O Anel Viário acumula mais de uma década de paralisações desde 2010, quando teve início o projeto de duplicação. Consórcios desistiram, trechos foram abandonados e licitações precisaram ser refeitas ao longo dos anos. A previsão mais recente aponta conclusão entre o fim de 2025 e início de 2026.
A nova paralisação, somada ao protesto, reacende dúvidas sobre o andamento do projeto. Enquanto isso, trabalhadores permanecem no local e afirmam que só permitirão a continuidade da obra após receberem os valores trabalhistas devidos.




