Os cachorros da Universidade Federal do Cariri (UFCA) participaram de uma formatura simbólica organizada por voluntários durante o período oficial de colações de grau da instituição, no Ceará. A ação foi divulgada nesta terça-feira (16) nas redes sociais da universidade e chamou atenção ao mostrar os animais que vivem nos campi usando mini becas e posando para fotos.
Entre os “formandos” estão Cachorra, Chilito, Ben Jor, Baleia e Clara Nunes, figuras já conhecidas da comunidade acadêmica. As imagens também foram compartilhadas no perfil “Doguíneos UFCÃO”, no Instagram, página dedicada a acompanhar o dia a dia dos cachorros da UFCA.
De forma bem-humorada, os voluntários atribuíram “graduações” simbólicas aos cães. Baleia, por exemplo, foi apresentada como formada em “glamour, fineza e elegância”, enquanto Valente apareceu como “a que não aguenta mais” a rotina universitária.
Ação vai além das fotos e busca conscientização
Segundo Fernanda Bastos Teixeira, fundadora do projeto UFCão e responsável pelo trabalho voluntário com os animais nos campi do Crato e de Juazeiro do Norte, a ideia das becas surgiu como uma estratégia para chamar atenção para um problema sério.
“A ideia da bequinha foi para chamar atenção, porque todo e qualquer movimento que a gente faz, nós que somos protetores da causa animal, é para chamar atenção para a questão do abandono e dos maus-tratos”, afirma.
Fernanda explica que, apesar da brincadeira com a ideia de “formatura”, os cães continuam vivendo em condição de rua, mesmo estando dentro de um espaço universitário. “Eles habitam a universidade, existe essa trocadilha de que são formandos, alunos, mas, mesmo assim, ainda são animais em condições de rua”, diz.
De acordo com a fundadora do projeto, a responsabilidade pelo cuidado com esses animais não pode ser ignorada. “A responsabilidade é do poder público, que nega o direito desses animais. Abandonar animais na universidade é crime, assim como em qualquer espaço público”, reforça.
A ação também foi pensada para coincidir com o calendário acadêmico e com o mês de conscientização contra o abandono animal. “Estamos praticamente em uma semana inteira de colação de grau na universidade e também no Dezembro Verde, de combate ao abandono. Deu para juntar tudo isso”, explica Fernanda.
Ela destaca que, apesar de muitos dos cães serem saudáveis, castrados e vacinados, todo o trabalho depende de doações e esforço voluntário. “Tudo precisa de doação para acontecer. Não é um trabalho fácil, nem psicologicamente, nem fisicamente, nem financeiramente”, relata.
Projeto atua há quase uma década na UFCA
O perfil “Doguíneos UFCÃO” reúne ações voltadas aos cachorros da Universidade Federal do Cariri que vivem nos campi de Juazeiro do Norte e do Crato. O projeto promove campanhas de vacinação, castração, bazares solidários e divulga informações sobre adoção responsável.
Segundo Fernanda Bastos Teixeira, o trabalho voluntário já se aproxima de uma década. “O UFCão é um trabalho voluntário que eu desenvolvo no campus Crato e no campus Juazeiro. Em 2026, vai completar dez anos”, afirma.
Beca canina tem história pessoal e simbólica
Além do caráter coletivo, a beca usada pelos cães carrega um significado pessoal para a fundadora do projeto. Fernanda conta que se formou em Administração pela UFCA há dois anos, após um percurso acadêmico longo e marcado por dificuldades.
“Desde que entrei na universidade, em 2016, eu levei sete anos para me formar. Tive muita dificuldade porque o cuidado com esses cães demanda muito. Teve semestre que eu praticamente reprovava tudo porque minha cabeça não estava legal”, relata.
Ela explica que chegou a ser alertada sobre a possibilidade de jubilamento. “Recebi a intimação: ou você se forma ou vai ser jubilada. Aí eu me formei”, conta.
Na colação, uma das cadelas que vive no campus Crato teve papel especial. “Ela também tinha sete anos na universidade. Eu levei ela comigo, ela subiu comigo, foi minha madrinha de coração”, lembra.
Fernanda ainda cita uma lenda popular entre os estudantes da instituição. “Existe uma história de que alunos que não concluem o curso viram cachorros. Então dizem que todos aqueles animais já foram um dia estudantes”, diz, em tom bem-humorado.
Apesar das fotos leves e descontraídas, a fundadora reforça que a mensagem principal é de alerta. “A pegada é de conscientização. As fotos são fofinhas, mas o foco é mostrar que abandono é crime”, conclui.




