O senador Weverton Rocha (PDT-MA) entrou no foco da Polícia Federal após ser alvo de um mandado de busca e apreensão na nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga descontos ilegais no INSS aplicados a aposentadorias e pensões em todo o país. A ofensiva policial mira um esquema que teria atuado entre 2019 e 2024, com prejuízo estimado em até R$ 6,3 bilhões, segundo as investigações.
A operação cumpriu 52 mandados de busca e apreensão, 16 mandados de prisão preventiva e diversas medidas cautelares. Além do senador maranhense, outras pessoas ligadas ao suposto esquema também foram alvos das ações.
As investigações da Polícia Federal apontam a existência de um esquema nacional voltado à aplicação de descontos irregulares em benefícios do INSS, atingindo aposentados e pensionistas. Entre os alvos presos está Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que já havia sido detido anteriormente no mesmo caso.
Também foi preso Eric Fidélis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidélis. Já o secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, foi afastado do cargo e teve prisão domiciliar decretada.
Em nota, a defesa de Weverton Rocha afirmou que o senador recebeu com surpresa a realização da busca em sua residência e que, “com serenidade, se coloca à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas assim que tiver acesso integral à decisão”.
Quem é Weverton Rocha e trajetória política
Natural de Imperatriz, no Maranhão, Weverton Rocha Marques de Sousa, de 46 anos, iniciou a vida pública ainda jovem, a partir da atuação no movimento estudantil. Ele integrou entidades como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e a União Nacional dos Estudantes, onde chegou ao cargo de vice-presidente.
No início da carreira institucional, atuou como assessor na Prefeitura de São Luís entre 2000 e 2006. Posteriormente, foi secretário estadual de Esporte e Juventude do Maranhão, durante a gestão do então governador Jackson Lago, do Partido Democrático Trabalhista.
No Legislativo, Weverton assumiu mandato como deputado federal em 2012, após ser eleito suplente em 2010. Reeleito em 2014, permaneceu na Câmara até 2018, período em que votou contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e contra a reforma trabalhista de 2017. Em 2018, foi eleito senador com apoio do então governador Flávio Dino.
Atualmente, integra a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi relator da indicação do ministro Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Processos e investigações envolvendo Weverton Rocha
Além da atual investigação da Polícia Federal sobre descontos ilegais no INSS, Weverton Rocha já foi citado em outros casos ao longo da carreira. Um deles envolve o programa Projovem Urbano, quando era secretário estadual. Na ocasião, foi denunciado por supostas contratações sem licitação, mas acabou absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, que entendeu não haver dolo nem prejuízo ao erário.
Outro caso refere-se à reforma do ginásio Costa Rodrigues, em São Luís. Weverton chegou a se tornar réu no STF por violação à Lei de Licitações e peculato, mas o processo foi enviado à Justiça estadual e encerrado em 2022 sem julgamento, podendo ser retomado caso as investigações sejam reabertas.
Mais recentemente, emendas parlamentares destinadas pelo senador foram mencionadas na Operação Odoacro, que apura possíveis irregularidades em contratos no Maranhão. Segundo a Polícia Federal, cerca de R$ 34 milhões em emendas teriam sido aplicados em obras executadas por empresas investigadas. Em todas as situações, Weverton negou envolvimento direto e afirmou que não é alvo central das investigações.




