Fortaleza é citada em arquivo do caso Epstein divulgado nesta sexta-feira (19) pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em um documento que trata do turismo sexual associado ao tráfico de pessoas em diferentes partes do mundo. A menção à capital cearense aparece em um material produzido pelo banco JPMorgan Chase, ao lado de outras cidades brasileiras e internacionais, sem apontar investigações ou crimes específicos relacionados ao município.
O documento integra parte dos arquivos tornados públicos no processo envolvendo o empresário Jeffrey Epstein e instituições financeiras que mantiveram relações com ele.
No arquivo, Fortaleza e o Rio de Janeiro são citados como exemplos de cidades que, ao longo do tempo, adquiriram reputação internacional associada ao turismo sexual. A capital do Ceará aparece ao lado de destinos como Amsterdã, Bangkok, Phuket, Tijuana e Angeles City, em um capítulo intitulado “Sex Tourism”.
O trecho que menciona Fortaleza diz:
“Muitas delas coincidem com importantes zonas de prostituição, como Amsterdã, na Holanda; Zona Norte, em Tijuana, México; Boys Town, em Nuevo Laredo, México; Fortaleza e Rio de Janeiro, no Brasil; Bangkok, Pattaya e Phuket, na Tailândia; Vladivostok, no Extremo Oriente Russo, destino de turistas sexuais asiáticos; e Angeles City, local de uma antiga base militar dos Estados Unidos na província de Pampanga, Filipinas. Em alguns países, incluindo Fiji e Cuba, indivíduos que trabalham em hotéis e casas noturnas, bem como membros da família, atuam como facilitadores do turismo sexual”.
Segundo o próprio documento, a análise tem caráter comparativo e internacional, sem detalhar ocorrências específicas no Brasil ou atribuir responsabilidade direta às cidades mencionadas.
Documento do caso Epstein não aponta crimes no Brasil
O material que cita Fortaleza no caso Epstein foi elaborado em agosto de 2008 pela área de combate à lavagem de dinheiro do JPMorgan Chase. O texto faz parte de uma análise institucional de risco relacionada ao tráfico humano, utilizando dados de organismos internacionais como Organização das Nações Unidas, Organização Internacional do Trabalho, Unicef, BBC e o Departamento de Estado dos Estados Unidos.
O documento destaca que grandes centros turísticos podem se tornar mais vulneráveis à exploração sexual devido a fatores como desigualdade social, fluxo intenso de turistas e fragilidade econômica, mas não relata operações policiais, denúncias formais ou investigações direcionadas às cidades citadas.
Caso Epstein
Jeffrey Epstein foi um empresário norte-americano acusado de tráfico e exploração sexual, que morreu na prisão em agosto de 2019, um mês após ser formalmente acusado. O caso ganhou repercussão mundial pelas conexões do empresário com figuras influentes e pela rede internacional de abusos investigada pelas autoridades.
A parceira de Epstein, Ghislaine Maxwell, foi condenada a 20 anos de prisão por envolvimento no esquema de exploração sexual. Os arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça fazem parte de processos judiciais que analisam falhas institucionais e financeiras relacionadas ao caso, incluindo documentos de caráter histórico e preventivo.




